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sábado, 10 de dezembro de 2011

Risada


Huahuahuahuhuhuaaaa! Ra ra  ra ra ! He he he he he!

Meu deu uma vontade de rir e rir... tanto. Hoje vou soprar 32 velinhas de vida. E quando penso que há exatamente um ano atrás a minha vida estava de cabeça para baixo e que o dia do meu aniversário foi um dos piores da minha vida, só consigo rir.

Riso de alívio, de leveza, de calmaria. Num ano uma maremoto e agora um mar tranqüilo. E que saudade estava das águas claras e quentes. 

Minha criança interior insiste em brincar, dar cambalhotas, dançar. E eu a deixo livre a pulular na chuva e poças das calçadas. Ela vê cor no dia nebuloso, paz no caos. Ela olha para as pessoas como se fossem cada uma uma flor: vermelha, lilás, branca, com cheiro, sem cheiro. Ela é curiosa e quer saber o que pensa tanto essa gente de rosto franzido.

O melhor da minha criança é que ela dá muita risada 
e acaba contagiando todo mundo em volta.

Alegria! 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Avalanche

Uma avalanche tomou conta do que eu chamava vida. Veio terra, rio, chuva, uma enchente avassaladora. Agora sinto tudo misturado. Percebo vagamente uma família que enlouquece aos poucos.

A dor é tão profunda que as palavras nem escrevem...


Me sinto apagando, virando fio sem tear.


Cadê o chão?

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Choro

Eu sei. Tenho sido só choro nesses últimos tempos. Tento voltar aqui para a Alegria do Blog mas meu coração chora entrecortado pelas notícias despedaçadas. Me sinto feito papel que se desfaz na água e não sabe mais como virar inteiro de novo. Me sinto chuva inundando a mim mesma e é tanta a dor represada no peito que tudo transborda. E as lágrimas me desinundam.

Sei que todo mundo tem a sua hora de ir embora. Mas quando alguém que você ama muito tem o seu tempo reduzido é preciso resignificar a morte. Porque a que carrego em meu peito parece ser pesada demais para me adequar a esses novos ventos.


Percebo a dor nos olhos dos outros, o choro contido e escondido de cada um. A negação e a não aceitação de alguns. E sempre choro junto.

Quem sabe... Daqui a pouco viro rio.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A menina e a chuva


ilustração: Irizs Agocs

Quando chovia, Aninha levava seu guarda-chuva para fora de casa, colocava-o de cabeça para baixo e ficava lá guardando a chuva.

Afinal, não é essa a função de um "guarda-chuva"? Os adultos não entendem nada, pensava ela. A chuva para Aninha era mistério, água que desfaz e refaz o mundo.

Sentia a água tocar seu rosto e amarrotar os seus cabelos. Não tinha medo da chuva. Gostava do tremelicar das gotas em sua pele.

Depois de guardar um tanto de chuva, chegava perto para escutá-la. A chuva escondia segredos que Aninha ouvia com os olhos. Ria ao ouvir histórias de outros ventos e estrelas. Por vezes se emocionava com as histórias de outros olhos.

No fim, sentia a ausência da chuva... e tentava redescobri-la no tintilar de gotas das árvores, telhados, frestas e nas águas guardadas do caminho.

Na chuva sentia-se perto do céu.