São muitas as lembranças doces que guardo da fazenda do meu bisavô...
Eu cresci entre o verde da fazenda, entre a zebra, o elefante e animais coloridos de lá. A subida nas árvores, o comer milho queimado com o meu irmão na fogueira improvisada do fim de tarde. A escalada no morro, a subida no telhado, pegar cenoura na horta, galopar com os cavalos, o banho de cachoeira, a visita das araras, todas as crianças gritando para o macaco do açude: "Macaco de bunda vermelhaaa!" O macaco correndo atrás da gente, a charrete com a gente em cima, o salão de jogos e as brincadeiras, o banho de piscina, o olhar para as estrelas, a sessão de filme noturna, assistir as escolas de samba enrolados no edredon, a bagunça do quarto dos primos: "Gato Mia!" Chupar jabuticaba do pé da árvore, comer a goiaba amarela e bichada, a pitanga amarga da árvore que eu já alcançava! Flores, eu colocava no cabelo. `As vezes, ia ver as rãs nos poços, os porcos rosados e os pintinhos correndo pela terra seca. E tinha também a pesca no açude, o dar capim para a Rosa, que com a sua tromba enrugada e macia molhava a gente com água. A comidinha caseira da horta, o tobogã da piscina, a família junta, a farra dos primos, comer lentinha e pular com o pé direito do sofá na passagem do ano. O friozinho da serra, a música da natureza e a certeza de que, sim, a vida faz muito sentido.