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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A mulher que você é

É... Só via seus defeitos. Por muito tempo, só pude enxergar o que achava errado.

Mas agora vejo o quanto de você existe em mim. Daquela mulher em festa, livre, cheia de palavras prontas para voar. Demorei a entender a sua poesia.

Agora entendo.


Aquela mulher de beleza exótica, de humor rebelde e cheia de paixão.

Eu a enxergo.

E é dela que quero lembrar.
Da mulher cheia de sonhos, criatividade e inseguranças.


É de você que vem a minha arte, a minha inspiração.

De vocês.


Da mulher que ama o sol, da mulher de amores conturbados com artistas (e quantos artistas!), da mulher que seduz, da mulher forte que se despe em frágil.

Da mulher que ousa;, que é independente; que dança (e dança!); que aprecia a beleza do mundo; que percebe o sutil do mundo; que protege seus filhos feito leoa; que sofre com o triste do mundo.

Que aprecia o humor.


Essa é você em mim.


(Para a minha mãe)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Mar

Quanta melancolia entreguei a essas areias
E quanto pranto secou esse mar.
Sou assim nessa praia:
criança de colo,
consolo nas tranças do vento
aconchego no Sol.

O Mar! Ah o Mar!
Me - nina com canção de ninar
O mar me dança.
Lamento, suplico,
Me escondo.
Me escuta!

Te ouço e te entrego

meus segredos
meu pesar


Guarda o meu silêncio.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Meu Jardim

Cresci entre palavras duras, ásperas. Nunca sabia quando elas viriam, assim feito espinhos, prontas para ferir. E aprendi que não queria plantá-las em meu jardim. Preferi as margaridas, flores do campo e lírios.

É engraçado porque a pessoa que me ensinou a amar poesia, ainda pequena, até hoje esquece de utilizar essa poesia em seu cotidiano. E de que serve o belo ou a sutileza das palavras quando nos esquecemos deles em nosso dia a dia?


Em meu jardim planto:
cantos de amor, vôo de pássaros e o elevar da borboleta.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Alegria



Que eu possa ser Sorriso entre olhares cabisbaixos,
Canto de pássaro amarelo que alegra a manhã cinza,
Dança que diz: sim! Sente a vida dentro e fora,
As cores quentes e verdes da feira,
Mão que acaricia,
Palavra com sabor de jabuticaba.


No medo, na dor,
na tristeza... na escuridão,
Que eu possa ser flores que aliviam a alma,
Nuvem que abraça o verso,
Brisa que levanta o ânimo e susurra: alegria!

Que eu possa ser amor de céu em pequenos gestos,
Risada presente que contagia,
Júbilo infinito que alumia.

terça-feira, 23 de março de 2010

Escrever segundo Bartolomeu


"Escrever é imprimir a experiência do espanto de estar no mundo.


É estender as dúvidas, confessar os labirintos, povoar os desertos.

E mais, escrever é dividir sobressaltos, explicitar descobertas e abrir-se ao mundo na ilusão de tocar a completude."

Bartolomeu Campos de Queiróz
em"Para Ler em Silêncio"


Sim, sim e sim as tuas palavras, Bartolomeu!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A fala encantada de Bartolomeu



Acabo de conhecer hoje, ao vivo, Bartolomeu Campos de Queirós. Sim! Ele mesmo - o autor que nos desperta a sutileza da alma - estava na Biblioteca Nacional falando sobre a literatura que "nos tira do prumo" (palavras do próprio).

Ah! Quanta fragância tem também as palavras faladas de Bartolomeu! Sua literatura me deixa do avesso por dentro e tira o prumo de qualquer um que ouse senti-la de perto.

Quando Bartolomeu começava a falar, o auditório mergulhava num silêncio profundo: ninguém queria perder o gosto arco íris de suas palavras. Confesso que fiquei perplexa em perceber que mesmo falando o autor canta poesia. Ele é como um pássaro que acorda o sol. Suas palavras e voz suave nos levam a um estado de tanta inspiração, que saímos do auditório enxergando só o encantamento do mundo.

Transcrevo aqui falas de Bartolomeu, pérolas que me embriagaram de beleza e fragilidade em mais um dia azul:

"Para desenhar há de se ter a liberdade do gesto.
Meu gesto é muito contido. Por isso escrevo. É a palavra que me encanta."

"Não gosto do explícito. Gosto do mistério. A metáfora esconde o escritor."


"Escrever também demanda liberdade. É a literatura reflexiva e de consumo interno que me tira do prumo, é essa que me encarna e é dessa que quero falar. O Brasil Literário procura esse leitor que busca poesia e beleza na palavra"

"A vida não deixa ninguém analfabeto. A leitura da escola, a do alfabeto é só mais uma leitura. Todo mundo já entra na escola sabendo ler."

"A literatura lida demanda trabalho.`As vezes, um livro desperta a dor."

"O leitor se encontra na literatura quando lê um texto que o conecta com sua fantasia mais profunda."

"O livro escuta o leitor o tempo inteiro. Ele pode tocar as nossas verdades mais profundas. Com um livro do lado, você nunca está sozinho. Não existe solidão."

"O texto só pode ser literário quando sai da linguagem do cotidiano e do lugar comum. Reduzir a arte a um destinatário, enfraquece a arte. "

"Temos que parar com essa idéia de que a educação nos deixa fortes. Quem tem educação é mais frágil. Muito frágil."

Sobre como surgiu a idéia de seu último livro "Tempo de Vôo":



"Um dia estava debruçado na janela e me deu uma saudade imensa do mundo. Me senti velho. Há um determinado momento em que o mundo fica distante de você. Eu senti na pele a saudade do mundo. E o texto [Tempo de Vôo] surgiu disso. Tem hora que dói na pele, que queima. A consciência da saudade do mundo é que cria o livro."

"É muito interessante, né? Você transforma a dor [da saudade] na alegria [de escrever]. Viver é um ato extremamente escandaloso."

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A poética de Bartolomeu



Ontem dormi sobre palavras. Palavras poéticas de Bartolomeu Campos de Queirós. Dizem que ele escreve para crianças e jovens, mas para mim ele escreve para suavizar o gosto da vida.

Mergulho no silêncio para melhor sentir a textura de sua prosa poética. Sinto um tremor no coração a cada palavra sua exalada: a mais pura essência. As frases borboletas de Bartolomeu devem ser saboreadas, apreciadas junto ao tempo.

Através de seus livros, percebo o desabrochar da flor da manhã, decifro a música infinita do céu e desperto para a sutileza da alma.

"Para um menino, assim só, os ciganos eram uma espécie de sol que acordava os afetos (...) Ele comungava a vontade de fazer-se atraído pelos ciganos e ser roubado por eles. Ah, ser roubado era o mesmo que ser amado. Ele sentia que só roubamos o que nos faz falta. E ele - como gostaria de ser a ausência, mesmo dos ciganos..."

Trecho do livro Ciganos de Bartolomeu Campos de Queirós

sábado, 16 de maio de 2009

Palavras

Como é que pode? Palavras -`as vezes uma palavra - mudar toda uma vida? Porque foi isso que aconteceu nessa noite. Conversando com o meu pai , ele me disse as palavras exatas que mudaram todo um registro já antigo, empoeirado sobre o que eu achava que era. Era, continuava sendo e não podia mudar.

Reconheço que eu também estava de coração aberto para vibrar e botar para dentro as palavras ditas. Eu realmente ouvi e internalizei, palavras que talvez antes não daria importância, mas que hoje, sentindo-me frágil e apertada, foram essenciais para que todo um registro de vida fosse mudado.

Para mim essa noite seria mais um jantar de taças vinho escuro tintilantes e conversas aéreas logo esquecidas. Nem a chuva fina lá fora imaginaria que nesse encontro com as palavras aveludadas de meu pai, eu teria a chance de reconhecer em mim aquela nova essência, natureza oculta que agora - ainda surpresa - me deparo.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Feito estrela



Você leu essas minhas palavras tentando me decifrar.
Mas bastava perceber os meus olhos brihantes feito estrela,
piscando exagerados (como num desenho animado)
que perceberia o que palavra alguma poderia expressar.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sobre Roteiro



Eu gosto de escrever roteiro. Não me leve a mal. Mas eu estava restrita, amarrada, presa no tempo e no espaço do roteiro:

INT. CASA FECHADA DO ROTEIRO- NOITE

Hoje me permiti sair e olhar para fora. Mudar de ângulo, ver o que a miopia já não me deixava escrever. As palavras podem libertar, mas eu me aprisionava no formado marcado, na cadência rítmica de "achismos", regras e roteiro. Um roteiro que a vida era obrigada a ser.

Se eu for demais estraga? Se voar alto machuca? Se sentir demais dói!

Pois deixe doer então! Melhor do que seguir na apatia e correntes do que não quero mais. Pode vir! Como a chuva que umedece o peito e leva tudo aquilo que não sou mais.


quinta-feira, 30 de abril de 2009

Manifestação



Eu fico olhando para o ar,
tentando perceber o que o tempo
quer me dizer.


É como se estivesse tudo em suspensão
e eu me silencio tentando escutar.

Ei?


Por vezes escuto quase um sussurro,
balbuciando palavras.

É comigo?


O susurro aumenta e uma voz sem fim

/assim sem mais nem menos,
sem autorização prévia ou lógica que se explique/

se manifesta em meu caderninho
de lápis cansado e canetas voadoras.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Lui Fontes e os Poetas Marginais



Há algumas semanas ouvi o meu tio, Lui Fontes, contar histórias da juventude dele com o Cacaso. Ele falou da época em que começou a escrever poesias, como conheceu o Cacaso e como foi surgindo o grupo dos poetas marginais, do qual participou.

E aquilo mexeu comigo... Pensei: que vontade de viver nessa época em que havia todo esse movimento poético e esse grupo interessado em escrever poesia a qualquer custo, em expressar tudo aquilo que vem de dentro...

E eles não se preocupavam em publicar livros, ganhar dinheiro ou qualquer coisa do gênero. O que os poetas marginais queriam era criar, como loucos sem amanhã, vivendo o intenso ritmo do agora.

Por isso, agora, bebo dessa fonte abundante e devoro alguns desses poemas, para quem sabe mais tarde, no raiar da maturidade, eu possa me reinventar com as palavras poéticas do que já se foi.



Meu amor de Soslaio

Faz tanto calor no Rio de Janeiro
Que é bom sentir essa neve
partir do seu olhar

Lui Fontes


Caso Pernambucano

Danou-se
ou foi história de trancoso
Oxente
e eu sei?
sei não

e contou o caso

Lui Fontes

Armação de Búzios

noite quente
os mosquitos mordem
e a morena não
Lui Fontes

Separação

A mesma porta que bate
com violência
Pode ser fechada
com delicadeza
Lui Fontes

Boemia de nós dois

a gente sempre chega antes
e sai depois
Lui Fontes


Poesia

`As vezes escrevo.
O resto eu vivo.

Lui Fontes


quarta-feira, 1 de abril de 2009

Vik Muniz: ensina-me a ver arte onde eu jamais sonhei!



Como expressar tudo o que senti ao ver a exposição do Vik Muniz no MAM? É difícil, mas vou tentar ... Retratos, fotos e imagens feitas do lixo, da poeira, do acúcar, do chocolate, do diamante. Imagens belíssimas criadas do que consideramos feio, sujo, do que rejeitamos do que não vemos ou não queremos ver. Ao mesmo tempo, imagens do que é gostoso e doce (feitas de chocolate e acúcar) do que consideramos belo e caro (diamantes e caviar). Vik Muniz obrigado por me inspirar e me tocar profundamente! E principalmente, por me fazer perceber que a arte está em todo o lugar, até mesmo no pó da poeira.






Vik Muniz!
Me arrebata, me inspira
Me tira do meu chão.
Me traz de volta para mim mesma, perplexa, perdida,
Mostra-me o outro lado do feio
Do sujo, do lixo, das minhas partes que não quero ver
Mostra-me a doçura, o açúcar, a poeira da vida

Ah, Vik Muniz!
Mostra-me esse mundo novo
que só você parece ver!
Antes que eu me perca nas palavras
e nessa avalanche de criatividade repentina,
ensina-me a sentir o mundo
de cabeça para baixo





Finalmente a livre expressão!



Faz tempo que meu coração me pedia loucamente para criar um blog... E nada! Mas hoje: eu consegui! E não foi por falta de tempo ou por questões tecnológicas ou qualquer coisa do tipo. Não, não foi nada disso. Foram mesmo questões internas e inconscientes, que nem mesmo eu entendia direito, que me impediam de começar a escrever sem limites, sem prazo, sem razão. A minha mente pensava: será mesmo que eu posso? Escrever tudo o que o meu sentir quer que eu escreva, assim sem nenhuma restrição e com total liberdade? Esse blog "Alegria" é agora esse espaço. Um espaço de liberdade, de expressão de tudo aquilo que sempre quis escrever mas achava que não podia...Um espaço em que eu possa expressar o tudo e o nada. Um espaço de alegria e de profunda conexão comigo mesma.