Mostrando postagens com marcador Sensações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sensações. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Alegria



Giulia queria plantar arcos-íris 
Dar um salto estrela na areia
Sentir a água no rosto
Adormecer sob o sol


Namorar os girassóis
Deixar escorrer a areia fina por entre os dedos
Soprar os dentes-de-leão 
e depois
voar com eles.


Queria amarrar em seu peito a Alegria 
para nunca mais perder-se dela.  

terça-feira, 14 de junho de 2011

Inundação

Meu coração se dilacera frente a mudanças que não posso evitar. Talvez sempre tenha sido assim... Mas só agora percebo o quanto não tenho o controle do vai e vem, do inundar da vida. Queria que meu rio estivesse fluindo tranqüilo, certo de seu amanhã. Mas as itempéries insistem em inundar e chacoalhar essas minhas águas.

A meditação ajuda mas é tanto sentimento e emoção que vem a tona durante o meditar, tanta limpeza interna que agora entendo porque muitas pessoas não conseguem continuar a meditar com constância. Não é agradável se deparar com medos e sentimentos afobados que vem sabe-se lá de onde. Ainda assim, ao olhar para essa inundação sinto-me mais calma. Se a inundação tá ali o que resta fazer é esperar passar. Com amor.


E passa viu. São só emoções que se dissolvem no tempo, no amanhacer, no instante.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Avalanche

Uma avalanche tomou conta do que eu chamava vida. Veio terra, rio, chuva, uma enchente avassaladora. Agora sinto tudo misturado. Percebo vagamente uma família que enlouquece aos poucos.

A dor é tão profunda que as palavras nem escrevem...


Me sinto apagando, virando fio sem tear.


Cadê o chão?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sou

Sou do Samba
do Sal
do Sol

Sou
música
leveza
ginga


Sou
água
ligeira
fluida...

Sou onda
tempestade
frio e quente
calmaria

Me desmancho
em lírios
poesia


e lágrimas


Sou
dos sonhos
dos vôos
dos olhos nus

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Carta a minha mãe


Mãe,


Você quase foi embora. Quase deixou esse seu jardim de flores e heras ressacadas. Eu sei, você não queria mais um jardim morto e chorava por um recomeço. E eu choro junto mãe. O seu pranto é o meu pranto. Sempre enxerguei a sua dor.


Na sua ausência, mãe, me vi criança novamente. As memórias voltam como um rio: meu irmão e eu, crianças, correndo na praia ao seu redor, os nossos pulos em cima da cama, as nossas brigas que te tiravam do sério, as viagens de carro enrolados no edredon, as brincadeiras cheias de gritos e cantoria.

Eu não sei bem se você já voltou mãe. Te sinto frágil entre homens de branco e uma família entristecida.
Será que você volta?
Onde você está?


Sei o quanto a vida aqui era escura para você. Nem mesmo o verde e as flores (que você tanto ama) eram capazes de trazer o seu sorriso.

Sinto você criança. Sinto você em outro mar. E quem sabe? O mar do seu mundo pode ser mais turquesa que o nosso. Quem sabe esse mar não te ajude a ver o azul?


E o Sol mãe. Como queria que você pudesse sentir o Sol junto comigo.

Mãe, aonde quer que esteja sente o meu amor,
sente o nosso amor por você.

É ele que traz cor a vida.
Sente, mãe.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cinza



Virei cinza com você. Como é que pode?
Sempre achei que duas cores vivas
ficariam mais vibrantes juntas.


A relação com o outro é soma.
Mas quando vira tempo escuro de nuvens cerebrais,
carregadas de "não" e "esse é o jeito certo",
sinto que é minha hora de voar.

Eu me pergunto...
Cadê aquela mulher de sorriso no rosto e estrela no olhar?
Cadê a leveza, a dança e a alegria que antes me visitavam?

Perdi a cor. Será que me perdi de mim?

Terminar dói.
Só que dói menos do que ser cinza.

Não gosto de fim.
Sou de começos.
De frutas que brotam na terra,
De flores que desabrocham.

Quero ser cor de Aurora.

sábado, 4 de setembro de 2010

Beleza

Sentia-se plena ali: os pés afundavam na areia, as ondas brincavam entre suas pernas, o sol acariciava o seu rosto e o vento (ah! o vento) ouvia seus lírios.

O verde esbranquiçado do mar a fazia lembrar de sonhos distantes, da essência azul que tanto buscava. Assombrava-se diante da beleza inefável que os olhos ouviam e se perguntava porque não podia perceber tal beleza por todos os segundos de seu respirar.

Perdia-se no mar, virava onda e redemoinho. A água amaciava as tristezas.

Queria fluir como o mar

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Relacionamento

O relacionamento íntimo com o outro me transforma. As feridas do outro esbarram nas minhas e trazem a tona minhas partes ocultas.

Algumas revelações não são nada agradáveis.

De onde vem essa dor?
Esse medo que achei que já havia ultrapassado?
E essa insegurança que invade tudo?


O amor a dois me faz leve, tênue e sombria. No amor, um vai revelando e descobrindo a si-mesmo e ao outro.
Ou será que é apenas a si-mesmo?


O medo da entrega é latente, afinal não há controle.
Há só o viver, o experimentar-se através do outro.

Se o amor me faz renascer, eu mergulho sim em suas labaredas
e me faço pássaro da lua, mutável e repleto de fases.

Lua nova
Lua negra
Lua dócil
Lua sorriso
Lua plena.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Onda que vem... Será que vai?

Sim, tenho medo. Medo de te mostrar a intensidade carmim de meus sentimentos. Sua voz é suspiro, arrepio na pele. Seu beijo me descompassa. Sei que gosta da fala clara e direta, mas sou assim: repleta de noite e mistérios.

Não vê que me afogo em seus olhos de mel? E me desmancho em seu toque? E que na nossa dança (você me enganou, seu dançarino!) me entrego tanto que me perco?

Sei que por vezes viro criança, insegura e boba.Tem noites que prendo as lágrimas e me finjo forte. E me faço rebelde para esconder a fragilidade e o despedaçar do peito.

E se você for onda que me envolve e logo se desfaz?

Onda
, fica comigo, no vai e vem do nosso mar. Vamos nos transbordar de espuma e tons.

Derrama em mim a firmeza dos seus passos, a doçura dos seus gestos, o seu balançar.

Me inunda com a sua ginga, a sua arte e o seu Sentir.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Avesso

Não e não! Ela não iria deixar de viver os seus sonhos para "se adequar" a sociedade. Preferia a autenticidade dos artistas, a originalidade das crianças e a fé dos santos mesmo quando a chamavam de louca.

Preferia andar pelas frestas e sombras buscando o avesso ao invés de seguir o "caminho comum" feito ovelha. Sabia que seria difícil para a família, pois seria vista como excêntrica. Mas não tinha jeito, nada dessas promessas do mundo externo a seduziam mais. Aprendera a viver no momento e por isso sentia-se fora do mundo.


Tinha encontrado o sorriso real (aquele que independe de circunstâncias externas) e por isso acolhia o tear da vida e cantarolava, espalhando sua fragância alegre independente do tempo, dos humores alheios e dos tons do dia.

Sentir... sem pensar



Ela queria dizer-lhe da intensidade de seus sentimentos. Mas havia aprendido a conter as suas pulsões. Ensinaram-na, quando pequena, que sentir era arriscado. Pois bem! Tentava esconder-se de si mesma.

Uma noite, sentada ao seu lado ferveu por dentro - feito panela de pressão - e não podendo mais conter a ressaca, tascou-lhe um beijo perto dos lábios.

E enrubesceu.


Ele, surpreso, convidou-a para dançar.
Dançaram sem por quês, sem amanhãs.


Entregaram-se aos entrelaces das pernas, aos gestos suaves dos braços, aos movimentos redondos e firmes... e aos desejos contidos que se expressavam na dança.


Ele sentia o contato com o corpo dela e percebia a sua nuca nos segundos em que os cabelos esvoaçavam.

Ela sentia o seu cheiro, o seu rosto e não conseguia conter o tremor que lhe percorria o corpo.

Uma pausa na música a fez subir uma das pernas até os quadris dele e ele furtivamente beijou-a, sem dar espaço ao pensar.

Perderam-se na intensidade do momento.

E assim, sem pensar, deixaram-se levar pela música, pelo fluir da dança e pelo sentir que emanava feito arco-íris de mil pétalas.

Pintura: Drue Kataoka

terça-feira, 8 de junho de 2010

Margarida

Julia queria dizer-lhe o quanto era vidro de cristal.
Não chegue tão perto! Posso quebrar...
Ou seria ela areia que escorre entre os dedos?

Queria perder-se no céu de seus olhos,
mas receava deixar as margaridas.

As margaridas traziam-lhe o alívio do branco.

E no entanto, não era o branco todas as cores?

Ele era fulgor alumiando a noite.
Ela, margarida.

Deitou-se ao seu lado
e coloriu o seu branco.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Sensações

Tem dias que inunda a solidão. Ela vem devagar e quando vejo já preencheu cada canto do corpo e da casa. Nesses momentos, a mente vaga por diversos estados: do por que... da vítima... da não compreensão... do apego.... e da solidão vazia. E é claro que passado alguns momentos já não agüento mais a minha própria companhia.

Então, o que faço é fechar os olhos e lembrar de todas as sensações, sons e imagens que me trazem alegria e me preenchem o peito esvaziado. E feito balão murcho que volta a ter ar (ou seria tear?), não é que melhora?

Divido algumas com vocês:

pássaro (de barriga amarela) cantando e comendo jabuticaba na varanda; mão sentindo a água fria do rio que corre (e escorre entre os dedos); sol do fim da tarde batendo nos olhos; vento dançando nos cabelos, refrescando a nuca; som de chuva que bate na terra; cheiro da terra molhada; rodopios a dois; dança entrelaçada; mergulho entre as ondas; sal no corpo; riso de criança;

eu, criança, rolando pela grama; pintura de criança com as mãos; quadrilha de festa junina; fantasia de paêtes que cintilam; pulo de carnaval; um abraço de saudade; um sorriso tímido; um beijo na bochecha; um beijo de céu; anjos; música para ninar; música que emociona, desabrocha e faz corar o rosto; palavras de outono; braços que acolhem; calor de dentro que transborda; respiro que desnuda...

UFA!!!

E mais um mergulho que eleva.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Índios Fulniô



Os índios Fulniô volta e meia fazem uma visita ao espaço Rampa (na roda de cura das terças feiras). Tive o privilégio de ver e participar de alguns de seus rituais indígenas de cura: rituais de extrema beleza e vigor. Um dos índios fulniô disse que achava o homem branco mais forte que o índio, por conseguir viver no caos da cidade grande. Ele disse que não sobreviveria em uma dessas cidades.

Tento descrever aqui algumas sensações sentidas durante esses rituais indígenas:

Os pés batem cadenciados e tudo que parecia morto vibra por dentro. O canto, o chocalho e a dança fulniô transformam a sala em magia rodopiante, em sensações que não se explicam. Mas o sentir pulsa junto com os pés que batem no chão. O cheiro de ervas no ar se mistura com o canto enigmático que invade os ouvidos e consome cada sombra interna. Em um instante, o tempo suspende e só existe aquele momento: o profundo de cada um.

Os rituais dos índios fulniô me trazem vida. Não a "vida do cotidiano", muitas vezes mecânica e seca. Mas aquela vida esquecida, que deixamos de lado a cada vez que esquecemos de nós mesmos, a cada vez que vamos deixando os sonhos de lado: a vida do coração.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Lava

Tem dias que chove aqui dentro. São gotas de lava escura que viram meu olhos do avesso e me fazem olhar para dentro. A lava lava tudo... E depois traz o vai e vem das ondas. E onda do mar nunca é igual a outra. É como sorriso de lua.

Quando mais nova tinha tudo planejado (até o final da vida! Ha ha ha!). Uma parte minha ainda acreditava em certos clichês: se tiver vários títulos terei sucesso na vida; só tenho valor através do trabalho; quando conseguir mais dinheiro estarei melhor; no futuro e sempre no futuro as coisas vão melhorar. E de que adianta tantas regras ("tem que ser assim!") se nada disso preenche o vazio que em alguns momentos se faz presente?

Não são os diplomas na parede, nem os dogmas, nem o futuro que preenchem esse espaço de dentro. Disso eu já sei. E por isso, tento buscar o indecifrável que me nutre; o ninho que me acolhe e cobre a lava escura.

Vago em busca de Flor que desabroche.

De Semente que germine o peito.

Do Respiro no silêncio.

Do Sim do infinito.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Frágil

Como é frágil o ser humano. Não conheço um que nunca tenha caído, se machucado, que não tenha sentido dor dentro do peito. Ao mesmo tempo, me surpreendo com a versatilidade e capacidade única do ser humano de se transformar, de renascer.

Tento renascer a cada vento no rosto. Não é fácil. A vida tem seus desafios... Tem certos dias que gostaria de não ter que lidar com certas emoções. Mas já aprendi que quanto mais fujo daquele sentimento, maior ele fica. Então, tento me lembrar que não sou só aquela emoção: sou um ser cheio de complexidade e beleza. A tristeza, a dor, a inquietação vai brotar cá dentro por vezes. E no entanto, como o vai e vem das ondas, tem uma hora que essa emoção escura se vai e abre lugar para sentimentos mais leves como o amor e a alegria.

As emoções são fluídas e mudam como a luz da lua. Porque então temos tanto medo de certas emoções? Medo de sentir? Sentir é fragilidade e vigor ao mesmo tempo, é o que nos arrebata e nos humaniza. Sentir pelo coracão é escolher ter uma vida cheia de nuances coloridas.

É pelo coracão que se renasce.

domingo, 18 de outubro de 2009

Coração

O coração quer se expressar. Ele grita por vezes, pois não quer ficar calado, esmorecido pelos cantos... Esse coração canta para o tempo, gargalha entre rios, dorme na chuva verde.

Teve um tempo em que ele não se expressava, por medo dos outros; de ser motivo de riso; de sangrar. E então seu tum-tum foi ficando fraco, esbranquiçado. Virou um fantasma vagando pelas sombras. Um dia - quase morto - decidiu renascer.

Percebeu a loucura que era viver só para o coração do outro e não para si próprio. Pouco a pouco ele foi descobrindo o seu ritmo: tum- tum, tum- tum... E ainda hoje o coração descobre seu compasso e se aproxima cada vez mais de si mesmo. Esse coração sabe que só ele mesmo pode preencher seu vazio, suas angústias, iluminar a sua sombra. É ele que sente, que pulsa, que ama.

Perto dele, a vida se faz perfume doce, as cores tocam melodias vibrantes e as asas rutilam a cada suspiro.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Envelhecer




Na minha imaginação de menina achava que quanto mais velha ficasse, mais simples seriam as questões ou os porquês. Seria a influência dos contos de fada?

Eis que me surpreendo ao ver agora que, muitas vezes, quanto mais velhos ficamos mais pesada fica a carga emocional, maior é a mochila nas costas. Mais um término, mais uma dor, mais um sofrimento para dentro da caixa preta das emoções. Aquelas emoções que não queremos fazer contato.

Olho as caras sérias no metrô, depois de um dia de trabalho, e quase não vejo sorriso ou bem estar. A tensão, preocupação e o disco mental arranhado predomina na maioria dos rostos. E assim parece que vamos virando uma colcha de retalhos, cada vez mais gasta, sem cor, sem vida. Cadê a vida que estava aqui? Sumiu!

Como faço para envelhecer na leveza, sem tanto pesar? Sem negar que o sofrer existe, mas simplesmente me conectando com aqueles sentimentos mais elevados mesmo nas horas mais áridas?

Me recuso a deixar que essa minha colcha de retalhos desbote de vez! Posso ter que remendar um buraco aqui e outro ali, mas prefiro antes me queimar com essas cores ferventes, avermelhadas, intensas dos meus retalhos de agora do que ir seguindo anêmica, sentindo só pela metade - por puro medo e dores acumuladas - sendo só a metade amarelada de uma vida prisma que pode ser arco-íris multifacetado.

Eu escolho o arco-íris.


ilustracão: Irizs Agocs

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Sonho Prata


É tanto espinho...

Mais uma vez meu corpo físico esmorece, tamanha briga aqui dentro. O coração sente-se mais do que pronto para viver seu Sonho Prata, pronto para fazer-se preenchido.

Mas partes minhas - cá dentro - resistem tal felicidade como soldados de chumbo. São resistências medrosas que cismam em me proteger. Pois tem medo da perda; da dor; da queda; da falta do que foi; da ausência do que não foi; da separação constante; de ser frágil e quebrar; do despir-se em silêncio; e principalmente da entrega espontânea.


E assim faz-se a guerra. Meu corpo se cansa de tanta discussão - afinal cada parte tem a sua razão - e segue perdendo seu vigor, sua tez, seu brilho espelhado.

Nesse tear quebradiço é preciso cantar. Cantar para a estrela, pedindo
emprestado seu brilho cândido até que eu recupere esse meu. Também peço emprestado em tal canto o sorriso dessa lua fio, o queimar desse Sol alumínio e o bater de asas dessa flor, até que os possa encontrar novamente em meus próprios encantos.

Sem prantos, nem enganos. No meu próprio canto.


ilustração: Irisz Agocs

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dona Tristeza



Apesar de ser um espaço de Alegria, tem vezes que a Tristeza chega assim mesmo, sem ser convidada. Entra, senta na poltrona da sala e ainda fuma cachimbo com ar de sabe tudo. Dessa última vez que apareceu não entendi nem bem porque veio. Tentei conversar com ela:

- Ô dona Tristeza, aqui não tem mais espaço para a Senhora não.


Mas ela não quis nem saber:


- Querida, também faço parte desse trem da vida. Por acaso você já viu vida sem chuva, tons escuros e trovão? Daqui você não me tira não.


- Certo. Mas eu prefiro pintar esse meu quadro de tons claros açucarados e esse seu tom sombrio musgo está brigando com a minhas cores brancas.


- Acontece que para formar esse branco assim tão Branco que você quer, vai precisar da minha cor também. E também das cores escuras dessas outras emoções aqui ó: FIUUUUU
!!!

Não é que a Danada assoviu? E com o assovio lá vieram as outras emoções: a Dona Raiva, a Senhorita Ansiedade, o Senhor Inseguro e o Célebre Medo. Meu Deus! Até a Madame Auto Estima Baixa chegou desfilando. Mas a pior de todas, que veio até de salto alto e pernas de fora, foi a Senhora Solidão.

- Ah não! Não sei se agüento essa Solidão.


Foi quando a Coragem (essa eu carrego no bolso) me puxou de lado e cochichou:


- É só juntar tudo no caldeirão.


E foi isso mesmo que fiz. Joguei todo mundo no caldeirão borbulhante das emoções e adicionei também Aquelas emoções que tanto gosto: Senhorita Alegria, Senhorio Coragem, Dona Calma, Senhor Auto-Valor, Madame Ventania e é claro, o tempero final: o elegante Senhor Amor.

Não é que a Dona Tristeza tava certa? Com esse ingrediente final, aquela pitada de Amor -`a la Mineira - a massa do caldeirão ficou mais Alva que o nome Clara. Dessa massa saborosa, fiz esse bolo que ofereço a vocês agora. A cereja do bolo fica por conta de vocês: será a sua Senhora Emoção favorita.

Ilustracão: Irisz Agocs