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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Diante do Novo

Ultimamente as marés me levavam de um continente ao outro. E cansada de tanto viajar e  me sentir sem chão, resolvi (mais uma vez) optar pela mudança. Mudança de casa, de país, de tempo. Me espera o desconhecido.  O desconhecido de uma relação a dois. Do amor.


E com tantas mudanças sinto um turbilhão de emoções que é difícil de expressar em palavras. 


Ontem fui ao samba e pensei que adoraria que a vida fosse sempre leve, alegre e simples: como o samba. Mas a vida é complexa em certos momentos. 


E por isso sambo e danço. 
Canto para aliviar o peso, os medos e as inseguranças diante do novo. 


Diante do oceano.  


Pois é: resolvemos casar.

terça-feira, 20 de março de 2012

Caminho

Ana sentia-se triste. O coração desanimava porque tinha acreditado que com ele seguiria um caminho, mas o rio fluiu para outro. E assim, desnorteada, sem saber para onde olhar, sentia seu peito para ver se ali encontrava resposta.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Saudades

Sombria. Assim me sinto quando você se vai. Tento ignorar o aperto no peito, finjo que logo passa. Os primeiros dias são sempre os piores. Fico achando que você vai voltar e entrar pela porta a qualquer momento, de sorriso aberto. 
A noite, sua ausência dói demais. 


Achava que com o tempo iria me acostumar com a distância, mas é ao contrário. Está cada vez mais doloroso ter que me afastar de você. Até porque foi tão maravilhoso passar esses últimos dias com você. Nosso ano novo foi amor, dança (com chuva!) e música de mar.


Depois veio a praia, o sol, o seus braços a me envolver, a areia, a bossa-nova, meus lábios a te beijar, o samba, o mar turquesa, a Bahia e nesse pedaço de paraíso: o nosso primeiro ano juntos. Só de lembrar me escapa um sorriso. 


Que esse primeiro ano nosso, tão nosso, possa se multiplicar em momento-pétalas de amor infinito.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Seu canto distante do meu

A saudade aperta o peito. Tantas vezes imagino o que você está fazendo para me sentir mais próxima. Me cansa tanta distância física. E quando tudo está ficando bom ao seu lado, mais uma vez nos despedimos e você vai para o seu cantinho da Terra e eu para o meu. 

Pena que o seu canto é tão distante do meu. E como é que apesar da distância dos Continentes me sinto tão colada em você? Pelo menos de sentimento, de coração. Na minha imaginação sinto seus cabelos desarrumados, seu cheiro, suas brincadeiras. Mas é tão melhor de perto.

Dói pensar que amanhã pode não ser mais. A insegurança por vezes me invade e me faz chover os olhos. Tento me agarrar em qualquer certeza de que vamos continuar juntos. Mas qualquer certeza é incerta. E assim vou tentando patinar num mar cheio de vai-e-vens.

Tenho tantos medos... De te perder, de ser esquecida, de simplesmente não dar certo. Acho que nunca amei tanto alguém, mas você nem está aqui agora para poder te dizer isso.

Só sei que aconteça o que acontecer queria lembrar que você me ajudou a superar momentos simplesmente terríveis nesse ano que passou. E que você, mesmo a distância, estava do meu lado para me ouvir e tudo o que passei foi mais brando, porque quando desabava sabia que tinha você. Te conheci num dos momentos mais críticos da minha vida, mas ainda assim você quis estar comigo e lutou por isso, apesar das intempéries. 

É por tudo isso que te amo tanto e sofro em não poder estar todos os dias juntinho de você, no seu jardim, na sua bicicleta, entre as nossas flores. Criando, pintando juntos. Crescendo feito árvores. Compartilhando estrelas, sentindo o céu, adivinhando as nuvens.

No momento são sonhos-sementes. Quem sabe alguma delas vira flor?

Flor do amor. Com você.

sábado, 6 de novembro de 2010

A Borboleta fecha as asas

Queria que cada um de nós saísse desse relacionamento
como borboletas a buscar suas novas flores.
Mas você preferiu mostrar o seu lado sombra:
"Quero sair por cima. E para isso Preciso te Ferir."

Que triste... Eu, borboleta, fechei as asas e senti que
escolhi o caminho certo. Voei para longe.

Essa borboleta que bate cá dentro do peito

prefere o amor, a sutileza e
a música que toca nas profundezas das flores.


No silêncio é possível escutar o canto das pétalas.
Busco o canto no silêncio.

É difícil no começo quando o coração está choroso.
Mas quando o pranto seca,
lá está a música que me abraça.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cinza



Virei cinza com você. Como é que pode?
Sempre achei que duas cores vivas
ficariam mais vibrantes juntas.


A relação com o outro é soma.
Mas quando vira tempo escuro de nuvens cerebrais,
carregadas de "não" e "esse é o jeito certo",
sinto que é minha hora de voar.

Eu me pergunto...
Cadê aquela mulher de sorriso no rosto e estrela no olhar?
Cadê a leveza, a dança e a alegria que antes me visitavam?

Perdi a cor. Será que me perdi de mim?

Terminar dói.
Só que dói menos do que ser cinza.

Não gosto de fim.
Sou de começos.
De frutas que brotam na terra,
De flores que desabrocham.

Quero ser cor de Aurora.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Meu irmão

Para Tomás

Outro dia mais uma pessoa veio me perguntar:

- Será que seu irmão gostou de mim? Me achou legal?
E achei engraçado lembrar que durante minha vida ouvi essa pergunta dezenas de vezes. E porque será que as pessoas querem que o meu irmão goste delas? Simplesmente porque ele é daqueles caras que o coração mal cabe dentro do peito de tão grande! É claro que ele tem um talento para desenho e criação sem igual e tem gente que o admira por isso. Mas o que faz tanta gente querer estar perto dele é o seu jeito amoroso e vivaz de ser. Você está ao lado dele um dia e sem saber porque começa a se sentir tão bem! He, he, he!

Então irmão, continue sendo você desse jeito único: engraçado, cheio de entusiasmo, de idéias, de sensibilidade, de alegria, de desenho, de criatividade, de sonhos, de afeto, de amor que transborda e contagia os outros.

Eu amo você!

E desejo sempre te ver com estrelas nos olhos,
mãos pintadas de cores e sonhos que voam.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Girassol



Queria ser Girassol de pétalas sempre viradas ao Sol.

E o que faz o girassol a Noite?
Se esconde? Aquiesce?

Mesmo a flor do Sol passa pelo negrume.

Nas vicissitudes do amar queria ser somente beija flor:

leve, cor suspensa no ar, flor de asas.

Mas quando vem o cinza, a intempérie do amor,

eu esqueço o beija-flor.
Como é frágil o coração.
Algumas palavras são suficientes para
deixá-lo cabisbaixo, sem canto.
E porque a pessoa que te canta melodias
logo te fere com palavras ásperas?

E porque esse amor a dois oscila entre preto e branco?

Eu adoraria escolher o branco.


Só o branco.


Ando em busca de um amor de mar turquesa, de águas macias.

Aquele Amor de letra maiúscula
que transcende as mágoas, as sombras, a noite.


Num mundo de dia e noite como encontrar um Amor sem noite?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Flor Gerbera

João revelou a ela que seu amor era como a flor gerbera.
Mas ela não deu atenção. Nem ternura.

As pétalas da gerbera foram caindo,
até que do amor-flor de João só sobrou o miolo.


Um amor despetalado.


Será que ela não sabe que dói em mim tanto o quanto dói nela?
E que há em mim sonhos repletos de pássaros, vôos e entrega?

João murchou...

E esperou o vento trazer novas sementes.

domingo, 22 de agosto de 2010

A Nossa Dança

Gosto do seu abraço de Sol. Você derrete qualquer frio interno e transforma a minha neve em rio.

Gosto de estar entregue em seus braços, de me enroscar em você no meio da confusão de travesseiros, cobertas e brancos.

Acordar e dormir do seu lado faz de mim sorriso encantado, borboleta a sonhar no céu infinito.


E na nossa dança... como sou feliz na nossa dança: cheia de rodopios, passos repentinos e estrelas cadentes.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Relacionamento

O relacionamento íntimo com o outro me transforma. As feridas do outro esbarram nas minhas e trazem a tona minhas partes ocultas.

Algumas revelações não são nada agradáveis.

De onde vem essa dor?
Esse medo que achei que já havia ultrapassado?
E essa insegurança que invade tudo?


O amor a dois me faz leve, tênue e sombria. No amor, um vai revelando e descobrindo a si-mesmo e ao outro.
Ou será que é apenas a si-mesmo?


O medo da entrega é latente, afinal não há controle.
Há só o viver, o experimentar-se através do outro.

Se o amor me faz renascer, eu mergulho sim em suas labaredas
e me faço pássaro da lua, mutável e repleto de fases.

Lua nova
Lua negra
Lua dócil
Lua sorriso
Lua plena.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Onda que vem... Será que vai?

Sim, tenho medo. Medo de te mostrar a intensidade carmim de meus sentimentos. Sua voz é suspiro, arrepio na pele. Seu beijo me descompassa. Sei que gosta da fala clara e direta, mas sou assim: repleta de noite e mistérios.

Não vê que me afogo em seus olhos de mel? E me desmancho em seu toque? E que na nossa dança (você me enganou, seu dançarino!) me entrego tanto que me perco?

Sei que por vezes viro criança, insegura e boba.Tem noites que prendo as lágrimas e me finjo forte. E me faço rebelde para esconder a fragilidade e o despedaçar do peito.

E se você for onda que me envolve e logo se desfaz?

Onda
, fica comigo, no vai e vem do nosso mar. Vamos nos transbordar de espuma e tons.

Derrama em mim a firmeza dos seus passos, a doçura dos seus gestos, o seu balançar.

Me inunda com a sua ginga, a sua arte e o seu Sentir.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sentir... sem pensar



Ela queria dizer-lhe da intensidade de seus sentimentos. Mas havia aprendido a conter as suas pulsões. Ensinaram-na, quando pequena, que sentir era arriscado. Pois bem! Tentava esconder-se de si mesma.

Uma noite, sentada ao seu lado ferveu por dentro - feito panela de pressão - e não podendo mais conter a ressaca, tascou-lhe um beijo perto dos lábios.

E enrubesceu.


Ele, surpreso, convidou-a para dançar.
Dançaram sem por quês, sem amanhãs.


Entregaram-se aos entrelaces das pernas, aos gestos suaves dos braços, aos movimentos redondos e firmes... e aos desejos contidos que se expressavam na dança.


Ele sentia o contato com o corpo dela e percebia a sua nuca nos segundos em que os cabelos esvoaçavam.

Ela sentia o seu cheiro, o seu rosto e não conseguia conter o tremor que lhe percorria o corpo.

Uma pausa na música a fez subir uma das pernas até os quadris dele e ele furtivamente beijou-a, sem dar espaço ao pensar.

Perderam-se na intensidade do momento.

E assim, sem pensar, deixaram-se levar pela música, pelo fluir da dança e pelo sentir que emanava feito arco-íris de mil pétalas.

Pintura: Drue Kataoka

terça-feira, 8 de junho de 2010

Margarida

Julia queria dizer-lhe o quanto era vidro de cristal.
Não chegue tão perto! Posso quebrar...
Ou seria ela areia que escorre entre os dedos?

Queria perder-se no céu de seus olhos,
mas receava deixar as margaridas.

As margaridas traziam-lhe o alívio do branco.

E no entanto, não era o branco todas as cores?

Ele era fulgor alumiando a noite.
Ela, margarida.

Deitou-se ao seu lado
e coloriu o seu branco.

terça-feira, 20 de abril de 2010

João e Julia

João queria conhecê-la do avesso, revirá-la por dentro.
Que vento és tu?
Que nuvem te desperta?
O que faz rir teu coração?

Para Julia, João era poesia, canto inesperado.

Julia era o mistério e João o vazio.

De qual flor vem o teu néctar?
Qual a cor do teu sentir?
E Julia sorria.
Gostava de sentir a respiração de João sobre seu peito.

João acariciou-lhe o rosto.
Fitaram-se...

e mergulharam um no outro.

O silêncio falava mais que a palavra.

No silêncio, um sonhava o outro.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Temporal



Tem umas pessoas que passam pela minha vida
que são mais rápidas que rajada de vento.

Umas vem como temporal, uma tormenta ágil e nebulosa.
Essas me cutucam, me bagunçam, me viram de cabeça para baixo.
Outras vem como brisa quente do mar
...
e me aquecem, me rodam, me acariciam.

Em um momento estou com elas,
mas logo, com o quebrar da onda, elas se vão.
E confesso que algumas vezes já quis segurá-las,
como se as minhas partes - partidas, perdidas-
estivessem indo embora junto com elas.

Respiro fundo e percebo agora
que partes delas ainda estão comigo,
vibrando como nuvens que passam,
mas deixam seus desenhos brancos e fluidos.

Então digo a elas: Vai temporal!
Passa pela minha vida
com seus relampeios e ventos tempestuosos,
e deixa o seu cheiro de terra molhada.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Término



Quando um relacionamento acaba o sentir chora chora chora...
E quase se afoga.

No início queríamos descobrir os mistérios do outro, entre vales e montes de dizeres e mãos. Corríamos soltos como num filme feliz e dançávamos a valsa viennense.

Mas veio o outono de folhas amarelas. E a cada folha que caía o nosso olhar se perdia. Não tínhamos mais a mesma direção, o mesmo gosto do encontro, dos beijos, da emoção compartilhada.

E eu me perguntava: mas não era até o fim da vida? Não era você o escolhido? E como viver sem o roçar da barba, o entrelace de mãos e o pulsar dos sentidos?

Já não sou mais quem eu era.
Sinto meu coração esvaziado, sem ar, ofegante.
Quase me afogo nas águas desse rio partido.

Até que vem o luar quente da noite
e passo a enxergar no espelho da minha alma,
lá no fundo empoeirado -- você.
E me sinto renascer, pronta para a serenata do agora.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O outro



Eu me dissolvo no outro
como gota d'água que se desfaz
no mais simples contato

E fico sem saber
onde termino
ou começo
Perdida, no universo infinito do outro

De quem são essas partes e cores?
O outro vai
E eu fico...

Tentando me redescobrir
nas sombras das horas,
nas luzes da noite.
No que me toca
e me faz viva

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Orvalho



Quando um relacionamento acaba, a gente só olha o que não foi
E quem disse que havia de ser diferente?
Quem disse que não era para ser o que já havia sido

Entre todos os amores vividos
espero sempre ter colhido
o orvalho pequenino
que me enche de sentido