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domingo, 11 de setembro de 2011

Acabou. Ponto.

Que bom voltar para esse espaço daqui. Outro dia tentei escrever por aqui, mas meu coração andava tão triste que as palavras se dissolviam no vazio. Resolvi respeitar o meu tempo interno. `As vezes é preciso o vazio.

Tive que deixar ir embora pessoas que achei que ficariam por perto. Pois bem. As amizades também acabam. Quando você vê ela escorreu pelas suas mãos. E PONTO.

Ficou comigo a dor da decepção, a mágoa pelas atitudes inesperadas de alguém que amava. Tento buscar dentro de mim as lembranças do que foi leve, solto, doce e sincero nessa relação de anos. 

O que foi poesia, alegria e cor guardo no peito. 

O que dói tento soltar feito barco de papel no rio, feito gaivota que se despenca no ar.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Fim


ilustração: Irisz Agocs

Mais uma vez sinto a dor do Fim.


Tem Fim que é suave: vento cantando no rosto (esses são raros).

Fim é pausa na respiração.
É tempo de rearrumar tudo por dentro.


Tem fim que desequilibra e transborda a cachoeira dos olhos. Tem fim que tira o sono e nos revira por dentro feito maremoto. Tem fim verde-lama, cinza chuvoso e até preto desbotado.

Nem sei bem a cor desse fim...

A verdade é que só quem passa por um Fim é que sabe o tamanho do grito de dentro, a profundidade do corte no peito e quanto tempo vai precisar para pintar aquela dor com uma nova cor.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Desabrochar


A dor do fim de um Amor

É como a morte de um céu
Céu de nuvens
Que tece em desenhos brancos
A história dos amantes

No fim o Amor teme a solidão
Teme o vazio dos sonhos
Teme perder-se de si mesmo
E dorme encolhido,
para esquecer aquela flor

Só que flor de amor não morre nunca.
Fica dentro do peito
esperando o despertar de suas pétalas

No desabrochar da nova flor
O Amor vira claridade
Brilho tecendo as luzes do céu

sábado, 19 de setembro de 2009

Resgate das partes perdidas



Na separação, temos a sensação de ter deixado várias partes nossas com aquela outra pessoa. Acreditamos que ela se foi e com ela também o amor, a alegria, o calor daqueles momentos. A sensação é de que nunca mais vamos sentir aquilo tudo novamente simplesmente porque aquela pessoa já não está mais do nosso lado.


Eu tento me lembrar, nesses momentos da ida do outro, quando o coração choroso anda tocando melodias escurecidas, de que o Amor que senti por essa pessoa é meu. E se é meu, fica dentro do meu peito. Também a alegria, o calor e todos os sentimentos vividos na relação bateram dentro do meu peito, foram sentidos por esse coração daqui, que chamo de meu.

Pensando desse jeito, vou resgatando cada um desses sentimentos perdidos, como fios lunares que vão preenchendo meu peito murcho com as minhas próprias emoções resgatadas. A cada parte recuperada - que por um tempo achei estarem perdidas no mar do outro - o vazio vai sendo preenchido e o peito passa inflar com as emoções que voltam, uma a uma, para casa.

Viro então balão colorido, pleno, pronto para voar mais uma vez pelas frestas desconhecidas de um relacionamento a dois.


Ilustração: Irisz Agocs

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Término



Quando um relacionamento acaba o sentir chora chora chora...
E quase se afoga.

No início queríamos descobrir os mistérios do outro, entre vales e montes de dizeres e mãos. Corríamos soltos como num filme feliz e dançávamos a valsa viennense.

Mas veio o outono de folhas amarelas. E a cada folha que caía o nosso olhar se perdia. Não tínhamos mais a mesma direção, o mesmo gosto do encontro, dos beijos, da emoção compartilhada.

E eu me perguntava: mas não era até o fim da vida? Não era você o escolhido? E como viver sem o roçar da barba, o entrelace de mãos e o pulsar dos sentidos?

Já não sou mais quem eu era.
Sinto meu coração esvaziado, sem ar, ofegante.
Quase me afogo nas águas desse rio partido.

Até que vem o luar quente da noite
e passo a enxergar no espelho da minha alma,
lá no fundo empoeirado -- você.
E me sinto renascer, pronta para a serenata do agora.