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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Saudades

Sombria. Assim me sinto quando você se vai. Tento ignorar o aperto no peito, finjo que logo passa. Os primeiros dias são sempre os piores. Fico achando que você vai voltar e entrar pela porta a qualquer momento, de sorriso aberto. 
A noite, sua ausência dói demais. 


Achava que com o tempo iria me acostumar com a distância, mas é ao contrário. Está cada vez mais doloroso ter que me afastar de você. Até porque foi tão maravilhoso passar esses últimos dias com você. Nosso ano novo foi amor, dança (com chuva!) e música de mar.


Depois veio a praia, o sol, o seus braços a me envolver, a areia, a bossa-nova, meus lábios a te beijar, o samba, o mar turquesa, a Bahia e nesse pedaço de paraíso: o nosso primeiro ano juntos. Só de lembrar me escapa um sorriso. 


Que esse primeiro ano nosso, tão nosso, possa se multiplicar em momento-pétalas de amor infinito.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Seu canto distante do meu

A saudade aperta o peito. Tantas vezes imagino o que você está fazendo para me sentir mais próxima. Me cansa tanta distância física. E quando tudo está ficando bom ao seu lado, mais uma vez nos despedimos e você vai para o seu cantinho da Terra e eu para o meu. 

Pena que o seu canto é tão distante do meu. E como é que apesar da distância dos Continentes me sinto tão colada em você? Pelo menos de sentimento, de coração. Na minha imaginação sinto seus cabelos desarrumados, seu cheiro, suas brincadeiras. Mas é tão melhor de perto.

Dói pensar que amanhã pode não ser mais. A insegurança por vezes me invade e me faz chover os olhos. Tento me agarrar em qualquer certeza de que vamos continuar juntos. Mas qualquer certeza é incerta. E assim vou tentando patinar num mar cheio de vai-e-vens.

Tenho tantos medos... De te perder, de ser esquecida, de simplesmente não dar certo. Acho que nunca amei tanto alguém, mas você nem está aqui agora para poder te dizer isso.

Só sei que aconteça o que acontecer queria lembrar que você me ajudou a superar momentos simplesmente terríveis nesse ano que passou. E que você, mesmo a distância, estava do meu lado para me ouvir e tudo o que passei foi mais brando, porque quando desabava sabia que tinha você. Te conheci num dos momentos mais críticos da minha vida, mas ainda assim você quis estar comigo e lutou por isso, apesar das intempéries. 

É por tudo isso que te amo tanto e sofro em não poder estar todos os dias juntinho de você, no seu jardim, na sua bicicleta, entre as nossas flores. Criando, pintando juntos. Crescendo feito árvores. Compartilhando estrelas, sentindo o céu, adivinhando as nuvens.

No momento são sonhos-sementes. Quem sabe alguma delas vira flor?

Flor do amor. Com você.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ajuda para os momentos difíceis

Esse ano não foi leve não. Mas olho para atrás e me dá um alívio perceber que os desafios passaram e  não "rachei", como pensei por alguns momentos que poderia acontecer. De uns meses para cá foi que voltei a ter uma vida normal de novo, sem grandes terremotos e redemoinhos.

Quero dizer aqui que não importa o que você esteja passando sempre tem algum lugar ou alguma pessoa que pode te ajudar. O Brasil é um lugar tão místico onde as pessoas são generosas e calorosas sim. Passei por momentos terríveis nesse ano que passou e sempre aparecia alguém dizendo vai lá naquele lugar receber uma luz ou vem comigo nesse centro de meditação receber uma paz. E é claro que eu fazia a minha parte e ia nesses lugares em busca de ajuda para mim e minha família.

Escrevo tudo isso para tentar dar esperança para outros que possam estar vivendo um momento difícil. Sei que esse ano foi desafiador para muitas pessoas. Mas o que queria dizer aqui é  que se você estiver se sentindo sozinho ou sozinha nesse momento peça ajuda! E se tiver que deitar no colo de alguém deita e se tiver que chorar, chora porque é isso que alivia o peito. 

E sei que parece eterno esse momento de dor...

Mas ele passa. 

Sugiro aqui alguns lugares para aqueles que estão buscando ajuda aqui no Rio de Janeiro:

Dojo Sukyo Mahikari: Rua 2 de Dezembro 117 tel: 2205 3290

Casa do Amor em Vargem Grande onde se recebe Reiki a preços populares toda semana. É preciso ligar para marcar.  Para mais informacões escreva para: carloshumberto@clearmind.com.br

Centro de Meditacão Siddha Yoga no Humaitá: Rua São Clemente 421. Há meditações quase todos os dias, mas para ir a primeira vez o ideal é na quinta feira `as 20 hrs ou no sábado `as 18 horas.

Roda de cura do Fogo Sagrado a 20 reais no Espaço Rampa em Copacabana: Rua Sá Ferreira 202. Todas as Terças Feiras`as 19 hrs.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Caminho

Sabe, andei meio sumida daqui. Mas tava precisando reorganizar sentimentos densos, varrer vales amontoados de lágrimas e me reestruturar por dentro. No final do ano passado um furacão invadiu a minha vida e me fez rodar, rodar... me deixou completamente aos avessos. Os primeiros meses foram bem dolorosos. Mas agora retorno com o coração límpido e a face plena de sorriso do amanhecer.

Doeu, caí e achei que ia me dissolver de vez.

E no entanto bailo de novo no vai e vem da vida.

Os desafios não terminaram e nem ficaram menores. Lentamente fui mudando dentro para poder lidar com fatos que ninguém pode mudar.

Decidi ser água que desagua em novos rios.
Vento que aceita sua intensidade e seu caminho.

A roda viva não para.
Cabe a gente encontrar o nosso centro e continuar caminhando.

Forte,
com fôlego.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Caminho do coração

Tento seguir o caminho do coração, mas não é fácil. São tantas forças que me puxam para direções opostas ( o mental, a família, as obrigações...). Tá difícil esse momento de vida. Mas é impressionante como uma força surge dentro da gente nessas horas. É claro... Muitas vezes deito e choro para liberar o peso no coração. Depois disso lavo o rosto, me levanto e penso vamos lá: é hora de fazer algo que me deixe bem, mesmo que seja tomar um café com leite na padaria. Só aquele quentinho já me acolhe e me abraça. E não tem jeito! Se estamos nesse mundo, alguma hora vai doer o peito. Não temos muito como escapar...

Quando você convive com alguém muito próximo que está doente, você se lembra a todo momento da sua mortalidade. E quase todo dia eu me lembro disso agora. E não é que tem vezes que ainda fico surpresa? Nossa...Vou morrer também um dia. Ha, ha, ha! É tão óbvio que chega a ser engraçado, mas para viver o dia a dia tentamos esquecer o inevitável.

Outro dia li uma frase do Dalai Lama que dizia mais ou menos assim: "o que mais me surpreende no mundo são os homens. Os homens acabam com a saúde para ganhar dinheiro e depois gastam todo o dinheiro para recuperar a saúde. Os homens vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido".

Quero morrer acreditando que vivi tudo o que foi possível e que fiz o melhor que pude. Para mim a perda de saúde da minha mãe tem me trazido consciência das minhas limitações e humildade ao perceber que estou aqui só por um tempo.

É, não tenho controle de uma série de acontecimentos que ocorrem na minha vida.


Mas todo dia me levanto e me pergunto: estou feliz com minhas escolhas de vida? E se não estiver como posso começar a mudá-las agora? Meu coração palpita quando é ouvido.

Por que esquecemos de escutá-lo?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ainda transborda

É... ainda me transbordam as lágrimas. E apesar de ser um caminho sem volta já consigo perceber uma força cá dentro que parecia não existir antes. Afinal, é assim mesmo a vida: efêmera, por vezes abrupta. Se esvai feito folha ao vento.

O que dói é ver seu sofrimento, suas palavras sombrias e nada poder fazer, a não ser te dar amor.

sábado, 5 de março de 2011

Balão

O mundo que conheci está ruindo
As paredes derretem
Meu castelo de areia se desfaz
Sinto-me revirada

De cabeça para baixo.

E quando nada mais é
Sobra aquilo que é.

Sinto-me viva e acesa.
O excesso me deixa
e apesar da dor,
me transformo em balão de fogo
subindo, subindo...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dói em mim

Me faço de forte ao seu lado.
Mas é só sair de perto que viro enchente.

Dói escutar seus planos que não podem mais ser...
Dói em mim a sua dor .

Te sinto esvaindo como dente de leão ao vento.
Ainda não me acostumei com o vazio de você.

Sinto-me desvanescendo...
E quando acho que não posso mais,
meu amor por você me carrega.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Avalanche

Uma avalanche tomou conta do que eu chamava vida. Veio terra, rio, chuva, uma enchente avassaladora. Agora sinto tudo misturado. Percebo vagamente uma família que enlouquece aos poucos.

A dor é tão profunda que as palavras nem escrevem...


Me sinto apagando, virando fio sem tear.


Cadê o chão?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Barco que naufraga

Me sinto em um barco que lentamente naufraga. Tento lidar com a minha impotência diante dos fatos e percebo o quanto dói. Não aprendi a lidar com a morte. Não essa morte lenta que vai consumindo a pessoa amada aos poucos. Uma lava me incinera... um dia de cada vez.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Choro

Eu sei. Tenho sido só choro nesses últimos tempos. Tento voltar aqui para a Alegria do Blog mas meu coração chora entrecortado pelas notícias despedaçadas. Me sinto feito papel que se desfaz na água e não sabe mais como virar inteiro de novo. Me sinto chuva inundando a mim mesma e é tanta a dor represada no peito que tudo transborda. E as lágrimas me desinundam.

Sei que todo mundo tem a sua hora de ir embora. Mas quando alguém que você ama muito tem o seu tempo reduzido é preciso resignificar a morte. Porque a que carrego em meu peito parece ser pesada demais para me adequar a esses novos ventos.


Percebo a dor nos olhos dos outros, o choro contido e escondido de cada um. A negação e a não aceitação de alguns. E sempre choro junto.

Quem sabe... Daqui a pouco viro rio.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lua negra

Meus pés afundam nos pântanos de uma realidade sombria. Ninguém deseja a fatalidade ou a dor profunda de uma notícia sem volta. Sim, foi muito doloroso meu aniversário. Como queria que fosse como antes!

Ainda assim nas frestas do peito busco um vazio, um cantinho qualquer em que a alegria possa se adentrar. E é na dança, no samba de raiz, no requebrado do pé, dos quadris e no movimento vibrante da música que tenho buscado um sopro de vida. Pois meu coração parecia mais morto do que nunca.

A dança me traz a cor de volta ao rosto.

O mar, o sal, o sol me consolam mais uma vez.
É lá que respiro.

E você,
você me traz esperança de novos vôos:
de aventura a dois, de leveza da lua, de ventania na noite,
de abraço firme, de troca sem palavras.

De lua negra virando crescente.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Bailarina


Pintura: Degas

Tem dias que dói. Dói o corpo, dói o peito.
E chove dentro.
Inunda tudo.

Nesse sobe e desce, nesse vai e vem,
ela busca um equilibrar mutante.
Tenta ser artista de circo e cai da corda bamba.


Quando menina ela queria ser bailarina,
sempre nas pontas dos pés,
de saia de tule rodada e sempre, sempre rosa.
Era seu mundo mágico.

A bailarina que ela é hoje quebra as pontas da sapatilha,
escorrega e muda de cor feito arco íris.


E ela - essa bailarina - dança e dança...
em busca de cura que a faça plena;
de luz incessante que a faça girar;
do verde-folha de dentro que acalma;

de um olhar que a decifre;
de um sorriso que a acolha;
de um encontro que nunca acabe.

De um eterno que dure.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Rachadura no peito

Sabe a sensação de rachadura no peito? `As vezes começa como uma fenda pequenina. E então, aquela palavra seca, aquela atitute que machuca faz a fenda crescer feito era. E quando percebe, já nem respira mais o coração.

Fenda que vira rachadura é feito flor de girassol que murcha e não mais acorda com o canto do sol. Meu coração está como terra de sertão: seco, quebradiço, cheio de cortes descompassados.

Os sentimentos de ontem escorrem pelas fendas de rachaduras tortas... E o coração vai se esvaziando daquele amor que era flor de centeio.

E resta uma dor profunda. Um vazio.

O peito fica rouco, sem canto, sem vida.

E precisa ficar só, para que com o tempo - e só com o tempo - redescubra o seu encanto.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Frágil

Como é frágil o ser humano. Não conheço um que nunca tenha caído, se machucado, que não tenha sentido dor dentro do peito. Ao mesmo tempo, me surpreendo com a versatilidade e capacidade única do ser humano de se transformar, de renascer.

Tento renascer a cada vento no rosto. Não é fácil. A vida tem seus desafios... Tem certos dias que gostaria de não ter que lidar com certas emoções. Mas já aprendi que quanto mais fujo daquele sentimento, maior ele fica. Então, tento me lembrar que não sou só aquela emoção: sou um ser cheio de complexidade e beleza. A tristeza, a dor, a inquietação vai brotar cá dentro por vezes. E no entanto, como o vai e vem das ondas, tem uma hora que essa emoção escura se vai e abre lugar para sentimentos mais leves como o amor e a alegria.

As emoções são fluídas e mudam como a luz da lua. Porque então temos tanto medo de certas emoções? Medo de sentir? Sentir é fragilidade e vigor ao mesmo tempo, é o que nos arrebata e nos humaniza. Sentir pelo coracão é escolher ter uma vida cheia de nuances coloridas.

É pelo coracão que se renasce.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Desabrochar


A dor do fim de um Amor

É como a morte de um céu
Céu de nuvens
Que tece em desenhos brancos
A história dos amantes

No fim o Amor teme a solidão
Teme o vazio dos sonhos
Teme perder-se de si mesmo
E dorme encolhido,
para esquecer aquela flor

Só que flor de amor não morre nunca.
Fica dentro do peito
esperando o despertar de suas pétalas

No desabrochar da nova flor
O Amor vira claridade
Brilho tecendo as luzes do céu

domingo, 23 de agosto de 2009

Descompasso



Meu coração frágil se despedaça com qualquer areia bruta que jogam em cima. Murcha feito tâmara seca. Seca como azeitona ao sol. Fica quebradiço, torto, vira boneco de pano passando de mão em mão.

Sei que és sensível coração, mas há de haver um jeito de não ser tanto trovão. De não ter tanta Areia fazendo algazarra, tanta Asa levantando poeira, tanta Tinta sangue sendo derramada, tanto Vento frio sendo furacão descabido dentro de ti. Há de haver uma solução para tanto não, para tanto alvoroço dolorido. Um respiro para que essa onda não te afogues; uma margem para que esse rio caudaloso não te arremesses para tão longe de si-mesmo.

Ainda há raio de sol, luz que não se esvazia, parte tua que não pode ser suprimida. Ainda há pranto que vira canto, música sua, voz sua em seu recanto. Espaço só seu, debaixo da lua, do seu tambor ritmado, onde és quente, és sua própria melodia mesmo num tum- tum descompassado.

Ilustração: Irisz Agocs

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Aos poucos



Aos poucos, a vida sorri novamente.


Ainda dói...
Mas a cada dia ensolarado,
a cada cheiro de árvore doce
a força volta, vagarosa, feito raiz.

E posso alçar vôo mais uma vez.

ilustração: Irisz Agocs

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dor de Mãe



Depois da morte da filha, a Dor daquela Mãe é um buraco negro de
imensidão incalculável.
É tanta dor que essas palavras tornam-se bestas por tentar traduzi-la.

O que fazer com essa Dor que cobre o espaço sideral? Aonde se agarrar? Em que borda segurar para não se afundar nessa lama desesperada? Para não sucumbir a capa escura, a loucura da noite que não enxerga mais o dia? Para aliviar o soluço e o tatear monocórdio da escuridão?


Nessa hora, Mãe - em que o Sem Sentido da vida se faz presente - te dou o meu abraço, meu colo e aconchego. Seco e compartilho suas lágrimas. Te dou todo Amor possível, pois quem sabe esse Amor não te alivia por apenas um segundo?

Te ofereço o sol, dentes brancos alegres, poesia que levanta, arte que acaricia e cura. Tento assim deixar vivo aquele pontinho no seu coração que resiste, e teima em acreditar que ainda existem estrelas nesse mundo.

ilustração: Nicoletta Ceccoli

sábado, 20 de junho de 2009

Duas faces da dor

Meu cabelo escureceu e também o meu humor.
Meu coração vaga sombrio pelos cantos.
Dor de perda
Dor de dor.

Ouvi dizer outro dia que a Dor e o Amor
são apenas faces opostas da mesma moeda.

Mas então como faço para ser apenas o meio da moeda?
Aquele centro que não é nem uma face nem outra?
Como faço para viver na essência... e não nas polaridades?


Como faço para doer menos? Para não chorar tanto?
Para sentir sem tanta intensidade.


Bálsamo de margaridas brancas talvez?
Banho de rio gelado? Canto de beija-flor açucarado?
Não sei bem...

No momento, estou quietinha,
tentando escutar tudo o que está dentro.`
As vezes ouço um alvoroço completo, um bater de asas ansiosas.
Outras vezes ouço só o Silêncio.

No Silêncio, por alguns minutos, é possível me sentir melhor.
Sinto um calor quente e aconchegante que vem de dentro.
Lava que vai cobrindo vagarosamente as feridas que sangram...
Quem sabe elas param logo de sangrar?
Algumas saram rápido, outras duram mais que uma vida.