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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Primavera

Aqui as árvores voltaram a florescer: de branco, rosa, amarelo, infinito. O verde voltou a acordar e cobre tudo com seus tons variados. Também a minha alma nessa primavera voltou a desabrochar. 


No frio daqui me sentia seca, sem cor como um galho que estala na branquidão da neve. Agora meu coração canta com os pássaros e renasce junto das flores avermelhadas com cheiro de sol.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Seu canto distante do meu

A saudade aperta o peito. Tantas vezes imagino o que você está fazendo para me sentir mais próxima. Me cansa tanta distância física. E quando tudo está ficando bom ao seu lado, mais uma vez nos despedimos e você vai para o seu cantinho da Terra e eu para o meu. 

Pena que o seu canto é tão distante do meu. E como é que apesar da distância dos Continentes me sinto tão colada em você? Pelo menos de sentimento, de coração. Na minha imaginação sinto seus cabelos desarrumados, seu cheiro, suas brincadeiras. Mas é tão melhor de perto.

Dói pensar que amanhã pode não ser mais. A insegurança por vezes me invade e me faz chover os olhos. Tento me agarrar em qualquer certeza de que vamos continuar juntos. Mas qualquer certeza é incerta. E assim vou tentando patinar num mar cheio de vai-e-vens.

Tenho tantos medos... De te perder, de ser esquecida, de simplesmente não dar certo. Acho que nunca amei tanto alguém, mas você nem está aqui agora para poder te dizer isso.

Só sei que aconteça o que acontecer queria lembrar que você me ajudou a superar momentos simplesmente terríveis nesse ano que passou. E que você, mesmo a distância, estava do meu lado para me ouvir e tudo o que passei foi mais brando, porque quando desabava sabia que tinha você. Te conheci num dos momentos mais críticos da minha vida, mas ainda assim você quis estar comigo e lutou por isso, apesar das intempéries. 

É por tudo isso que te amo tanto e sofro em não poder estar todos os dias juntinho de você, no seu jardim, na sua bicicleta, entre as nossas flores. Criando, pintando juntos. Crescendo feito árvores. Compartilhando estrelas, sentindo o céu, adivinhando as nuvens.

No momento são sonhos-sementes. Quem sabe alguma delas vira flor?

Flor do amor. Com você.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Risada


Huahuahuahuhuhuaaaa! Ra ra  ra ra ! He he he he he!

Meu deu uma vontade de rir e rir... tanto. Hoje vou soprar 32 velinhas de vida. E quando penso que há exatamente um ano atrás a minha vida estava de cabeça para baixo e que o dia do meu aniversário foi um dos piores da minha vida, só consigo rir.

Riso de alívio, de leveza, de calmaria. Num ano uma maremoto e agora um mar tranqüilo. E que saudade estava das águas claras e quentes. 

Minha criança interior insiste em brincar, dar cambalhotas, dançar. E eu a deixo livre a pulular na chuva e poças das calçadas. Ela vê cor no dia nebuloso, paz no caos. Ela olha para as pessoas como se fossem cada uma uma flor: vermelha, lilás, branca, com cheiro, sem cheiro. Ela é curiosa e quer saber o que pensa tanto essa gente de rosto franzido.

O melhor da minha criança é que ela dá muita risada 
e acaba contagiando todo mundo em volta.

Alegria! 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Da dualidade do mundo



Para minha sobrinha Filipa


É assim:
num momento de dor nasce mais uma flor:
Filipa!

Tens boca de coração e
covinhas! Quantas covinhas!

Você nos traz vôo de céu azul.

Passarinha linda (Pipa),
que você possa bordar seu arco íris
por entre e além de nós.


Na foto: Felipa (Pipa!!!)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Flor Gerbera

João revelou a ela que seu amor era como a flor gerbera.
Mas ela não deu atenção. Nem ternura.

As pétalas da gerbera foram caindo,
até que do amor-flor de João só sobrou o miolo.


Um amor despetalado.


Será que ela não sabe que dói em mim tanto o quanto dói nela?
E que há em mim sonhos repletos de pássaros, vôos e entrega?

João murchou...

E esperou o vento trazer novas sementes.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Meu Jardim

Cresci entre palavras duras, ásperas. Nunca sabia quando elas viriam, assim feito espinhos, prontas para ferir. E aprendi que não queria plantá-las em meu jardim. Preferi as margaridas, flores do campo e lírios.

É engraçado porque a pessoa que me ensinou a amar poesia, ainda pequena, até hoje esquece de utilizar essa poesia em seu cotidiano. E de que serve o belo ou a sutileza das palavras quando nos esquecemos deles em nosso dia a dia?


Em meu jardim planto:
cantos de amor, vôo de pássaros e o elevar da borboleta.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Estrela de Belém




Flor Estrela- de -Belém, mais conhecida como
a famosa essência floral de Bach, "Star of Bethelem", que cura
traumas, dores e tristezas. Não são lindas?


O nosso amor foi como a flor Estrela- de- Belém: estrelado e branco. E repito, mais uma vez, que você foi brisa suave em minha vida, pois brisa quente vindo do mar acolhe, abraça e ama com carinho.

Você foi riacho aguando o meu pesar, lavando meus por quês e e serás. Com você vivi o momento e apesar de ter partido como onda do mar, as lembranças de você são de: cores,
jabuticaba(!), alegria, leveza, pulo de carnaval, beijos, brincadeira, afeto e... brisa.

Estrela de Belém - que alivia as maiores tristezas- possa você expressar seu olhar terno e sua fonte de brancura a outros sorrisos.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Flor de dentro



ilustração: Irisz Agocs

Joana esperava ouvir poesia de sua mãe ou quem sabe... palavras de doce de coco?


Mas da boca da mãe só saíam espinhos. E espinhos de mãe fazem sangrar o peito.

Joana, com o peito transbordando mágoas e desamor, foi pedir ajuda ao seu mestre espiritual . E ele lhe disse:

- Pare de buscar flores em terra seca. Sua mãe apenas repete o que aprendeu a ouvir.

O mestre resplandecia feito estrela. Depois de uma respiração profunda continuou:

- Tudo o que você busca está dentro de você e no entanto o seu foco está fora. Os outros não podem lhe dar aquilo que você ainda não aprendeu a se dar ou a reconhecer que existe dentro de si. Gostaria que a partir de hoje você se desse flores todos os dias.

- Flores?

- Sim. Ouça flores de sua própria boca. Inunde-se de palavras pétalas e gestos de amor todos os dias. Quando foi a última vez que fez carinho em si mesma ou disse a si uma palavra terna?

- Nem me lembro...

- E ainda assim exiges que o outro o faça.

Joana, então, foi para casa decidida a se dar flores todos os dias. No início foi bem difícil. Ela se olhava no espelho e ao dizer palavras pétalas ria de nervoso e achava que aquilo não podia ser verdade. Afinal, ela cresceu ouvindo espinhos! Como eram diferentes aquelas palavras de afeto...

Pouco a pouco, Joana foi aprendendo a se dar girassóis, lírios do campo, crisântemos, margaridas, chuvas de prata, tulipas...

E eis que um dia sentiu desabrochar a sua própria flor no peito. Era uma flor única que ela deu o nome de: céu sem fim. E com o seu "céu sem fim", já não lhe atingiam mais os espinhos da mãe e até os espinhos de outros não tinham mais importância. Joana descobriu que quanto mais regava e dava atenção a sua flor de dentro, menos era afetada pelos desequilíbrios do lado de fora.

E daquela flor de céu, ela criou um jardim interior que floresceu como o infinito...

E espalhou néctar e silêncio para outros corações abelhas que buscavam a flor.



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Flor do Amor



É assim que começa o Amor a dois: como uma sementinha frágil, incerta sobre seu destino na terra nova. Um dia quando vê o amor se fez flor; flor daquelas de tirar o ar do peito, de fazer os pêlos da nuca arrepiarem, de fazer o corpo flutuar etéreo a cada perfume da flor amada.


Cada amor tem sua flor. E cada flor tem sua cor. Alguns acreditam que quando o amor já é flor, não precisa mais regá-lo. Só que o amor é flor delicada. Há de se acariciar todos os dias, pois qualquer vento sul faz cair suas pétalas, qualquer sol desmedido tira seu vigor.

O amor precisa ser acolhido, abraçado. Até que dessa flor nasça muitas outras, transformando esse amor em campo florido de pássaros tecendo o céu. Ainda assim, cada flor precisa dos gestos doces que fazem nascer seu sorriso, das gotas chuva que nutrem seu chão e
do canto contínuo de amor que dá brilho a sua alma .

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Luiza - "Home Sweet Home"


Para Luiza

Minha linda Luiza, fico feliz em ver-te finalmente - depois de tanta espera cinza - nessa casa sua, ninho tão esperado de Amor. Entre a manta rosa quentinha, colinho de mamãe, risos de papai e carinho da Vovó coruja.

Que linda margarida tênue és tu, pegando o solzinho da tarde que bate da janela!
Meu coração palpita quando ouço o seu chorinho e lembro que agora já está no aconchego, na paz vibrante de sua conchinha familiar.

Essa sua titia se emociona ao te ver- mesmo de longe - e queria como pássaro esfuziante estar aí do seu ladinho. Te dando beijinhos pipocantes e cheirinhos cativantes. Luluca, beija-flor, bem vinda ao nosso Mundo amada flor.

ilustração: Irisz Agocs