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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lua negra

Meus pés afundam nos pântanos de uma realidade sombria. Ninguém deseja a fatalidade ou a dor profunda de uma notícia sem volta. Sim, foi muito doloroso meu aniversário. Como queria que fosse como antes!

Ainda assim nas frestas do peito busco um vazio, um cantinho qualquer em que a alegria possa se adentrar. E é na dança, no samba de raiz, no requebrado do pé, dos quadris e no movimento vibrante da música que tenho buscado um sopro de vida. Pois meu coração parecia mais morto do que nunca.

A dança me traz a cor de volta ao rosto.

O mar, o sal, o sol me consolam mais uma vez.
É lá que respiro.

E você,
você me traz esperança de novos vôos:
de aventura a dois, de leveza da lua, de ventania na noite,
de abraço firme, de troca sem palavras.

De lua negra virando crescente.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Adolescente em festa



Nas festas, depois dos jogos do Brasil (na Copa do Mundo) eis que ressurge a minha adolescente, que há tempos andava adormecida. Porque essa minha adolescente era pura emoção e alegria nas festas. E ela lembrou-se de Copas do Mundo e festividades passadas e despertou. Algumas pessoas próximas reclamavam e diziam que aquele mesmo lugar já havia sido melhor, porque quando eu era mais "nova" isso, aquilo e aquilo outro...


Mas a minha adolescente nem deu ouvidos:

E cantou para a lua cheia que iluminava seus cabelos; dançou o samba que se formou no meio da rua, cheio de tumulto, instrumentos e sons inesperados (o trompete foi para ela a sensação da noite); sentiu a alegria de tanta gente e sorriu branco como a lua; sentiu a criatividade daquelas pessoas cheias de melodia na alma e dança colorida no pé; regojizou-se nos pulos e cantar dos outros; percebeu as blusas amarelas perdidas nos verdes e abraçou aqueles que abraçavam o momento.

Essa adolescente, cheia de intensidade, livre, espontânea, vive os momentos de festa com leveza e êxtase, sem o pesar do tempo...

Ela sabe que os ventos permanecem na Terra enquanto a gente se esvai num respiro incerto.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Meditação e Lua

Sim, eu acredito no que disse o mestre Paramahansa Yogananda:

"Os alegres raios da alma podem ser percebidos se interiorizar a sua atenção. Você pode ter estas percepções se treinar a sua mente para apreciar o belo cenário de pensamentos no reino invisível e intangível dentro de você.

Quando você interiorizar a mente [na meditação] começará a perceber que há muito mais maravilhas no seu interior do que no exterior."
Paramahansa Yogananda em "Onde Existe Luz"


E por isso, lá fui eu para a cidade da chuva aprender a técnica de meditação da Kriya Ioga, na tentativa de um dia encontrar o Ser Divino cá dentro.


E digo a vocês, pode ser maravilhoso mergulhar no profundo de dentro. O ideal é realmente ter uma técnica ou prática que você se identifique e possa fazer com amor. Senão vira algo mecânico e sem vida.

Outro dia durante a meditação descobri que sou lua. Quando sou lua minguante ou a lua das sombras (lua nova) viro criança chorando pelo doce roubado, vítima indefesa no manto das lamentações. Achei graça, porque era como se estivesse me vendo de fora e todo aquele "drama minguante" causado pela mente era feito comédia.

Quando sou lua crescente: Ah! que sorriso branco nasce em mim! Me torno giro giro giro e danço pelas entrelinhas do momento.

Mas bom mesmo é quando consigo ser lua cheia: brota em mim a plenitude do plenilúnio. Sou rio fértil, nascente fulgurante, branco que se expande no infinito cósmico.