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domingo, 11 de setembro de 2011

Sobre o renascer da minha mãe

Muitos amigos e pessoas queridas vem pedindo notícias de minha mãe. Pois bem! Minha mãe resnasceu de uns tempos para cá. Melhorou de tal maneira que até seu negro diagnóstico médico foi mudado. 

É... os milagres acontecem. 

Tudo mudou no fim de Maio, quando fui a um seminário de meditação Kriya Yoga em São Paulo e passei o fim de semana na presença do Santo e Mestre Paramahansa Prajnanananda. Durante o primeiro dia de meditação entreguei a ele a foto da minha mãe e pedi uma benção divina para ela, já que a medicina dizia que o caso de minha mãe não tinha cura. O santo perguntou se poderia levar a foto dela com ele e disse que rezaria por ela. Eu deixei que ele levasse a foto e chorei feito uma criança depois de tudo isso. 

Depois desse fim de semana, minha mãe só fez melhorar e hoje está praticamente boa.

Enfim, cada um da família acha que a melhora dela foi por um motivo diferente. Mas para mim foi sem dúvida a benção divina recebida do Prajnanananda. 

Obrigada Mestres da Kriya Yoga! 

Obrigada Mãe divina do Amor!

E obrigada a todos vocês que me apoiaram com as suas palavras.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Caminho do coração

Tento seguir o caminho do coração, mas não é fácil. São tantas forças que me puxam para direções opostas ( o mental, a família, as obrigações...). Tá difícil esse momento de vida. Mas é impressionante como uma força surge dentro da gente nessas horas. É claro... Muitas vezes deito e choro para liberar o peso no coração. Depois disso lavo o rosto, me levanto e penso vamos lá: é hora de fazer algo que me deixe bem, mesmo que seja tomar um café com leite na padaria. Só aquele quentinho já me acolhe e me abraça. E não tem jeito! Se estamos nesse mundo, alguma hora vai doer o peito. Não temos muito como escapar...

Quando você convive com alguém muito próximo que está doente, você se lembra a todo momento da sua mortalidade. E quase todo dia eu me lembro disso agora. E não é que tem vezes que ainda fico surpresa? Nossa...Vou morrer também um dia. Ha, ha, ha! É tão óbvio que chega a ser engraçado, mas para viver o dia a dia tentamos esquecer o inevitável.

Outro dia li uma frase do Dalai Lama que dizia mais ou menos assim: "o que mais me surpreende no mundo são os homens. Os homens acabam com a saúde para ganhar dinheiro e depois gastam todo o dinheiro para recuperar a saúde. Os homens vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido".

Quero morrer acreditando que vivi tudo o que foi possível e que fiz o melhor que pude. Para mim a perda de saúde da minha mãe tem me trazido consciência das minhas limitações e humildade ao perceber que estou aqui só por um tempo.

É, não tenho controle de uma série de acontecimentos que ocorrem na minha vida.


Mas todo dia me levanto e me pergunto: estou feliz com minhas escolhas de vida? E se não estiver como posso começar a mudá-las agora? Meu coração palpita quando é ouvido.

Por que esquecemos de escutá-lo?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ainda transborda

É... ainda me transbordam as lágrimas. E apesar de ser um caminho sem volta já consigo perceber uma força cá dentro que parecia não existir antes. Afinal, é assim mesmo a vida: efêmera, por vezes abrupta. Se esvai feito folha ao vento.

O que dói é ver seu sofrimento, suas palavras sombrias e nada poder fazer, a não ser te dar amor.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A mulher que você é

É... Só via seus defeitos. Por muito tempo, só pude enxergar o que achava errado.

Mas agora vejo o quanto de você existe em mim. Daquela mulher em festa, livre, cheia de palavras prontas para voar. Demorei a entender a sua poesia.

Agora entendo.


Aquela mulher de beleza exótica, de humor rebelde e cheia de paixão.

Eu a enxergo.

E é dela que quero lembrar.
Da mulher cheia de sonhos, criatividade e inseguranças.


É de você que vem a minha arte, a minha inspiração.

De vocês.


Da mulher que ama o sol, da mulher de amores conturbados com artistas (e quantos artistas!), da mulher que seduz, da mulher forte que se despe em frágil.

Da mulher que ousa;, que é independente; que dança (e dança!); que aprecia a beleza do mundo; que percebe o sutil do mundo; que protege seus filhos feito leoa; que sofre com o triste do mundo.

Que aprecia o humor.


Essa é você em mim.


(Para a minha mãe)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mãe para sempre

Esse é um dos meus poemas preferidos de Drummond
(poeta que mais amo).


Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

De Carlos Drummond de Andrade

Quero ser semente pequenina em colo de mãe.
Sempre, sempre.

Carta a minha mãe 2


Mãe,


Já tivemos tantas fases difíceis. Era um desafio superar as nossas diferenças. Mas no momento nada disso importa. Esse amor que sinto por você transcende tudo. Tudo mesmo. Como queria te libertar desse tormento. Queria mãe te dar a paz do olhar dos santos, a luz manga - tangerina do pôr do sol, e as flores das cores que você quisesse.

Queria ser bem mais forte do que estou sendo, estar todo dia ao seu lado. Mas tem dias que me bamboleam as pernas, me tremem as mãos e me desfaço em lágrimas como uma criança pequena. Porque essa criança que existe dentro de mim se desespera e sente medo de ficar sozinha. E de perder você, a minha primeira referência nesse mundo.

Escrevo mãe, para liberar tanta emoção e para lembrar de como você me ensinou a apreciar as palavras, a brincar com as letras, a voar na poesia. Em cada palavra minha tem você, em cada gesto meu, em cada olhar está você, junto, juntinho de mim.


domingo, 5 de dezembro de 2010

Tela em branco

É duro. Duro saber que mais um aniversário se aproxima e que você talvez não vá lembrar. Mas não importa mãe. Vou estar ao seu lado te lembrando da vida que você me deu.

Olho ao redor e percebo uma família que se des - pe - ta - la (cada um da sua maneira). Já me despetalei mãe, diversas vezes nesses últimos dias e noites insones de montanha russa. Mas já sinto novas pétalas crescendo. É assim a natureza.

Sei que daqui para frente há montanhas a serem escaladas. Sei que não vai ser fácil (e já não está sendo). Mas não quero olhar só o desafio e sim a vida: pois você escolheu a Vida quando apesar de tudo resolveu ficar. E que bom mãe, poder ainda pegar na sua mão e sentir o cheirinho dos cremes que você adora passar na pele. Que bom poder te abraçar, beijar e ficar do seu ladinho.

Antes não tava bom para você, não é? Sentia sua fragilidade, seu choro e era insuportável não poder tirar o vazio do seu peito.

Quem sabe agora não nasce um novo jardim para você? Novas árvores, flores, pássaros. Do jeito que a sua imaginação de criança queria pintar. Vamos plantar juntas mãe. Essas sementes de orquídeas, girassóis, lírios, flores do campo...

Vamos pintar juntas. Te dou a tela em branco e você faz arte.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Carta a minha mãe


Mãe,


Você quase foi embora. Quase deixou esse seu jardim de flores e heras ressacadas. Eu sei, você não queria mais um jardim morto e chorava por um recomeço. E eu choro junto mãe. O seu pranto é o meu pranto. Sempre enxerguei a sua dor.


Na sua ausência, mãe, me vi criança novamente. As memórias voltam como um rio: meu irmão e eu, crianças, correndo na praia ao seu redor, os nossos pulos em cima da cama, as nossas brigas que te tiravam do sério, as viagens de carro enrolados no edredon, as brincadeiras cheias de gritos e cantoria.

Eu não sei bem se você já voltou mãe. Te sinto frágil entre homens de branco e uma família entristecida.
Será que você volta?
Onde você está?


Sei o quanto a vida aqui era escura para você. Nem mesmo o verde e as flores (que você tanto ama) eram capazes de trazer o seu sorriso.

Sinto você criança. Sinto você em outro mar. E quem sabe? O mar do seu mundo pode ser mais turquesa que o nosso. Quem sabe esse mar não te ajude a ver o azul?


E o Sol mãe. Como queria que você pudesse sentir o Sol junto comigo.

Mãe, aonde quer que esteja sente o meu amor,
sente o nosso amor por você.

É ele que traz cor a vida.
Sente, mãe.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Estrela de Ana


Ana andava cansada das brigas com a mãe. Ela buscava a sua própria estrela e não qualquer luz de poste feito mariposa cega. Mas a mãe não aceitava: queria a segurança da filha. E aqueles sonhos eram muito incertos.


Ana queria seguir o seu coração e não o que outros achavam que era o melhor para ela. E ela, por vezes, se perdia com as luzes ilusórias do caminho, pois eram muitas distrações que a desviavam de sua estrela.

A mãe insistia que Ana entrasse no formato quadrado e padrão do que é considerado certo, pois isso era o seguro, o aceito pela sociedade.
Ela tentava explicar para mãe que deixando de lado seus sonhos, viraria folha seca, endurecida pelo tempo da vida. Mas a mãe não a compreendia e assim as duas eram como dois olhos que não mais se viam.

Ana era pássaro selvagem e morreria se fosse engaiolada. Ana queria fazer arte e ser a própria arte. Ela curava a si e ao mundo. Talvez tivesse que desvendar montanhas e quebrar suas asas durante esse caminho. Não se importava. Era nesse caminhar - de encontrar a estrela de dentro - que sentia-se plena.


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mãe


Para minha mãe, que hoje completa mais um ano pertinho de mim

Só agora pareço começar a apreender o que é ser Mãe.

Sim, porque quem disse que é possível compreender
o que é ser Mãe em poucas palavras roucas?

Para mim Mãe é cobertor que aquece,
envolve e protege o filho.
Manta de luz quente
que ama feito estrela infinita,

mas sente a dor do filho
quando esse chora,

cai um pouco por dentro
quando ele cai,

para depois pegá-lo firme no abraço
e
mostrar-lhe a vida como novo tear.

Mãe é novelo de lã que aquece
É lua que acolhe no olhar
Mãe é canção de ninar
É puro sorriso quando
vê o canto branco do filho.

Mãe que vê filho ferido,
vira leoa furiosa,
espinho de rosa
pronta para saltar.

Mãe se entrega feito flores do campo,
Se perde como feixes de luz,
Se reencontra como margarida,
e nunca desiste de salvar os filhos
com harpa angelical e sorvete de avelã
Afinal, diz ela: sempre há o amanhã!

Mãe é "Amor de Mãe" que só as mães entendem.

Mãe é contradição de sentimentos
pulsar de amor desmedido
coração palpitante que vibra,
crescendo junto com cada nova pétala do filho.

Ilustração: Irisz Agocs

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dor de Mãe



Depois da morte da filha, a Dor daquela Mãe é um buraco negro de
imensidão incalculável.
É tanta dor que essas palavras tornam-se bestas por tentar traduzi-la.

O que fazer com essa Dor que cobre o espaço sideral? Aonde se agarrar? Em que borda segurar para não se afundar nessa lama desesperada? Para não sucumbir a capa escura, a loucura da noite que não enxerga mais o dia? Para aliviar o soluço e o tatear monocórdio da escuridão?


Nessa hora, Mãe - em que o Sem Sentido da vida se faz presente - te dou o meu abraço, meu colo e aconchego. Seco e compartilho suas lágrimas. Te dou todo Amor possível, pois quem sabe esse Amor não te alivia por apenas um segundo?

Te ofereço o sol, dentes brancos alegres, poesia que levanta, arte que acaricia e cura. Tento assim deixar vivo aquele pontinho no seu coração que resiste, e teima em acreditar que ainda existem estrelas nesse mundo.

ilustração: Nicoletta Ceccoli

sábado, 25 de abril de 2009

Pézinho de neném


Para Vivi, Pedro e a neném mais fofa: Rafaela!

Para aquela neném os seus próprios pezinhos
pareciam ser um Universo Inteiro.

E quem disse que não é? A gente é que cresceu...
e esqueceu.


De repente vem aquele chorinho tão pequenino quanto ela: "Uéee"

E a mãe tenta adivinhar
o que o seu pinguinho está dizendo, expressando
ou será cantando?

O pai adora o cheirinho dela.

E quando ela abre um sorriso: Ah! Qualquer lugar vira arco- íris
!
E a vida uma doce fábula.