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quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Nosso Amor


Quando penso em te encontrar (mais uma vez), depois do Mar e do Tempo que nos separam, meu coração bate vibrante e nervoso. Cada reencontro é como o primeiro encontro. Ao seu lado viro sorriso branco, borboleta amarela, bolinhas de sabão que encantam as crianças. E sim, por vezes também viro capricho.  

Adoro a brincadeira do nosso dia a dia, a nossa troca, a nossa espontaneidade. E sei que os momentos vem e vão, mas com você parece que tudo acontece mais fácil, que o ar se torna mais leve e rarefeito, as cores vibrantes, os aromas mais marcantes. 

O nosso amor acalma o choro e desabrocha o botão das rosas.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Diante do Novo

Ultimamente as marés me levavam de um continente ao outro. E cansada de tanto viajar e  me sentir sem chão, resolvi (mais uma vez) optar pela mudança. Mudança de casa, de país, de tempo. Me espera o desconhecido.  O desconhecido de uma relação a dois. Do amor.


E com tantas mudanças sinto um turbilhão de emoções que é difícil de expressar em palavras. 


Ontem fui ao samba e pensei que adoraria que a vida fosse sempre leve, alegre e simples: como o samba. Mas a vida é complexa em certos momentos. 


E por isso sambo e danço. 
Canto para aliviar o peso, os medos e as inseguranças diante do novo. 


Diante do oceano.  


Pois é: resolvemos casar.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Alegria



Giulia queria plantar arcos-íris 
Dar um salto estrela na areia
Sentir a água no rosto
Adormecer sob o sol


Namorar os girassóis
Deixar escorrer a areia fina por entre os dedos
Soprar os dentes-de-leão 
e depois
voar com eles.


Queria amarrar em seu peito a Alegria 
para nunca mais perder-se dela.  

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Saudades

Sombria. Assim me sinto quando você se vai. Tento ignorar o aperto no peito, finjo que logo passa. Os primeiros dias são sempre os piores. Fico achando que você vai voltar e entrar pela porta a qualquer momento, de sorriso aberto. 
A noite, sua ausência dói demais. 


Achava que com o tempo iria me acostumar com a distância, mas é ao contrário. Está cada vez mais doloroso ter que me afastar de você. Até porque foi tão maravilhoso passar esses últimos dias com você. Nosso ano novo foi amor, dança (com chuva!) e música de mar.


Depois veio a praia, o sol, o seus braços a me envolver, a areia, a bossa-nova, meus lábios a te beijar, o samba, o mar turquesa, a Bahia e nesse pedaço de paraíso: o nosso primeiro ano juntos. Só de lembrar me escapa um sorriso. 


Que esse primeiro ano nosso, tão nosso, possa se multiplicar em momento-pétalas de amor infinito.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Seu canto distante do meu

A saudade aperta o peito. Tantas vezes imagino o que você está fazendo para me sentir mais próxima. Me cansa tanta distância física. E quando tudo está ficando bom ao seu lado, mais uma vez nos despedimos e você vai para o seu cantinho da Terra e eu para o meu. 

Pena que o seu canto é tão distante do meu. E como é que apesar da distância dos Continentes me sinto tão colada em você? Pelo menos de sentimento, de coração. Na minha imaginação sinto seus cabelos desarrumados, seu cheiro, suas brincadeiras. Mas é tão melhor de perto.

Dói pensar que amanhã pode não ser mais. A insegurança por vezes me invade e me faz chover os olhos. Tento me agarrar em qualquer certeza de que vamos continuar juntos. Mas qualquer certeza é incerta. E assim vou tentando patinar num mar cheio de vai-e-vens.

Tenho tantos medos... De te perder, de ser esquecida, de simplesmente não dar certo. Acho que nunca amei tanto alguém, mas você nem está aqui agora para poder te dizer isso.

Só sei que aconteça o que acontecer queria lembrar que você me ajudou a superar momentos simplesmente terríveis nesse ano que passou. E que você, mesmo a distância, estava do meu lado para me ouvir e tudo o que passei foi mais brando, porque quando desabava sabia que tinha você. Te conheci num dos momentos mais críticos da minha vida, mas ainda assim você quis estar comigo e lutou por isso, apesar das intempéries. 

É por tudo isso que te amo tanto e sofro em não poder estar todos os dias juntinho de você, no seu jardim, na sua bicicleta, entre as nossas flores. Criando, pintando juntos. Crescendo feito árvores. Compartilhando estrelas, sentindo o céu, adivinhando as nuvens.

No momento são sonhos-sementes. Quem sabe alguma delas vira flor?

Flor do amor. Com você.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Amore che vola

Me sinto bem junto aos seus cabelos de mar, repletos de ondas e curvas sem fim. Cheiro seu pescoço, pele, cabelos e te agarro.

Depois te solto e você, livre, voa na sua bicicleta. 

Também tenho voado por tantas partes do mundo para ter alguns minutos da sua mão junto da minha, do seu rosto cantando para o meu.  

Sim, eu sei que tem a diferença de língua, cultura, frio e os nossos humores geniosos que algumas vezes se chocam. 

Ma che bella língua é la tua língua italiana! E che lindo ragazzo sei! O amor não tem língua definida. 

Tem cor, gosto, momento.

O amor não tem garantias nem controle, só o deixar-se viver. 

Deito em cima de ti e te sinto. 
Escuto o a vida que sai de ti, 

a respiração a dois

o farfalar de nossas asas. 

Me transforma em borboleta.

domingo, 11 de setembro de 2011

Cacos

O vento me lembra o borbulhar de emoções que não se expressam; sentimentos mudos.

É leve leve o vento. 
Assim queria que fosse meus pensamentos.

Estou juntando os cacos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Uma vida de cor

Aos vinte anos, me sentia perdida no meio da maré de discursos e tentava achar um caminho que fosse menos doloroso e que me desse todas as soluções. Ainda não sabia que enquanto não olhasse para as relações partidas que existiam dentro de mim, começando pelo meu pai e minha mãe, não teria sossego. E a relação que eu mais queria curar não era com nenhum outro, mas comigo mesma.

`As vezes, somos sensíveis e amorosos com os outros, mas com nós mesmos somos verdadeiros carrascos. Eu era assim sem perceber... E estou ainda aprendendo a me colocar no meu próprio colo e a me cuidar com delicadeza e amor.

Mas o que quero escrever aqui hoje é

Não importa o que você passou:

Ainda  é possível uma vida de cor e de equilíbrio.

E eu falo por experiência própria e por todas as curas maravilhosas que já tive e continuo tendo nesses últimos tempos. Mas para isso é importante aprender a olhar para dentro, já que estamos acostumados a olhar apenas para o mundo externo e fazemos muito pouco contato com nossas emoções.

Até o meu último respiro,
que eu possa cada vez mais ser 
o equilíbrio interior

o amor

a alegria

a leveza

as cores

 o pássaro exótico que canta em meu peito.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Inundação

Meu coração se dilacera frente a mudanças que não posso evitar. Talvez sempre tenha sido assim... Mas só agora percebo o quanto não tenho o controle do vai e vem, do inundar da vida. Queria que meu rio estivesse fluindo tranqüilo, certo de seu amanhã. Mas as itempéries insistem em inundar e chacoalhar essas minhas águas.

A meditação ajuda mas é tanto sentimento e emoção que vem a tona durante o meditar, tanta limpeza interna que agora entendo porque muitas pessoas não conseguem continuar a meditar com constância. Não é agradável se deparar com medos e sentimentos afobados que vem sabe-se lá de onde. Ainda assim, ao olhar para essa inundação sinto-me mais calma. Se a inundação tá ali o que resta fazer é esperar passar. Com amor.


E passa viu. São só emoções que se dissolvem no tempo, no amanhacer, no instante.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Caminho

Sabe, andei meio sumida daqui. Mas tava precisando reorganizar sentimentos densos, varrer vales amontoados de lágrimas e me reestruturar por dentro. No final do ano passado um furacão invadiu a minha vida e me fez rodar, rodar... me deixou completamente aos avessos. Os primeiros meses foram bem dolorosos. Mas agora retorno com o coração límpido e a face plena de sorriso do amanhecer.

Doeu, caí e achei que ia me dissolver de vez.

E no entanto bailo de novo no vai e vem da vida.

Os desafios não terminaram e nem ficaram menores. Lentamente fui mudando dentro para poder lidar com fatos que ninguém pode mudar.

Decidi ser água que desagua em novos rios.
Vento que aceita sua intensidade e seu caminho.

A roda viva não para.
Cabe a gente encontrar o nosso centro e continuar caminhando.

Forte,
com fôlego.


terça-feira, 5 de abril de 2011

Meu ACORDE

É...
Você realmente me acordou (meu A- COR-DE).


Viajar por pequenos paraísos com você me trouxe de volta a vida.
A vida que escorria por meus dedos e pés feito chuva.
E era tanta chuva que saía de dentro!


Na sua música, no seu humor refinado
me deixei voar e virei gaivota.

Gaivota leve,
plainando,
brincando.

Por trás do seu ar de sério você é puro riso.
Adoro nadar em seus braços
e me perder em seus carinhos de girassol.



Gosto de te beijar feito vaga-lume, te abraçar em excesso, te deixar sem graça frente aos costumes do "velho continente", te fazer rir, te fazer cantar, te deixar louco. Te agarrar sem medo. Te roubar por algumas horas. Me entregar sem receio.


Você me esquenta.

Vem pra perto!
E me colore os olhos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Me desperta

Sabe...
Num momento em que choro quase todos os dias, você (mesmo aí do outro lado do mundo, atrás da tela do computador) me transforma em sorriso. Apesar da distância física, te sinto tão perto. Gosto de ouvir a sua voz e ver o seu cabelo se despentear na penumbra. E adoro sentir o seu sorriso, escutar o seu beijo estalar através das estrelas. Faltam poucas nuvens para eu estar do seu lado de novo, dessa vez sentindo seu cheiro, tocando sua pele e cantando, sempre cantando, junto de você.


Me leva amor, para uma viagem bem longe daqui

Me desperta da sombra.


Me mostra os cataventos
e diz para mim que ainda há outros mundos
bem mais coloridos e plenos de beija-flor.

Vamos nos afagar

e nos afogar de ternura e carícias
sem tempo nem hora

Vamos nos tocar em poesia
Nos despir em amor

Me mostra o seu mundo,
o seu A - COR - DE.

Me ACORDA.

sábado, 5 de março de 2011

Balão

O mundo que conheci está ruindo
As paredes derretem
Meu castelo de areia se desfaz
Sinto-me revirada

De cabeça para baixo.

E quando nada mais é
Sobra aquilo que é.

Sinto-me viva e acesa.
O excesso me deixa
e apesar da dor,
me transformo em balão de fogo
subindo, subindo...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dói em mim

Me faço de forte ao seu lado.
Mas é só sair de perto que viro enchente.

Dói escutar seus planos que não podem mais ser...
Dói em mim a sua dor .

Te sinto esvaindo como dente de leão ao vento.
Ainda não me acostumei com o vazio de você.

Sinto-me desvanescendo...
E quando acho que não posso mais,
meu amor por você me carrega.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A mulher que você é

É... Só via seus defeitos. Por muito tempo, só pude enxergar o que achava errado.

Mas agora vejo o quanto de você existe em mim. Daquela mulher em festa, livre, cheia de palavras prontas para voar. Demorei a entender a sua poesia.

Agora entendo.


Aquela mulher de beleza exótica, de humor rebelde e cheia de paixão.

Eu a enxergo.

E é dela que quero lembrar.
Da mulher cheia de sonhos, criatividade e inseguranças.


É de você que vem a minha arte, a minha inspiração.

De vocês.


Da mulher que ama o sol, da mulher de amores conturbados com artistas (e quantos artistas!), da mulher que seduz, da mulher forte que se despe em frágil.

Da mulher que ousa;, que é independente; que dança (e dança!); que aprecia a beleza do mundo; que percebe o sutil do mundo; que protege seus filhos feito leoa; que sofre com o triste do mundo.

Que aprecia o humor.


Essa é você em mim.


(Para a minha mãe)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Carta a minha mãe 2


Mãe,


Já tivemos tantas fases difíceis. Era um desafio superar as nossas diferenças. Mas no momento nada disso importa. Esse amor que sinto por você transcende tudo. Tudo mesmo. Como queria te libertar desse tormento. Queria mãe te dar a paz do olhar dos santos, a luz manga - tangerina do pôr do sol, e as flores das cores que você quisesse.

Queria ser bem mais forte do que estou sendo, estar todo dia ao seu lado. Mas tem dias que me bamboleam as pernas, me tremem as mãos e me desfaço em lágrimas como uma criança pequena. Porque essa criança que existe dentro de mim se desespera e sente medo de ficar sozinha. E de perder você, a minha primeira referência nesse mundo.

Escrevo mãe, para liberar tanta emoção e para lembrar de como você me ensinou a apreciar as palavras, a brincar com as letras, a voar na poesia. Em cada palavra minha tem você, em cada gesto meu, em cada olhar está você, junto, juntinho de mim.


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Choro

Eu sei. Tenho sido só choro nesses últimos tempos. Tento voltar aqui para a Alegria do Blog mas meu coração chora entrecortado pelas notícias despedaçadas. Me sinto feito papel que se desfaz na água e não sabe mais como virar inteiro de novo. Me sinto chuva inundando a mim mesma e é tanta a dor represada no peito que tudo transborda. E as lágrimas me desinundam.

Sei que todo mundo tem a sua hora de ir embora. Mas quando alguém que você ama muito tem o seu tempo reduzido é preciso resignificar a morte. Porque a que carrego em meu peito parece ser pesada demais para me adequar a esses novos ventos.


Percebo a dor nos olhos dos outros, o choro contido e escondido de cada um. A negação e a não aceitação de alguns. E sempre choro junto.

Quem sabe... Daqui a pouco viro rio.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lua negra

Meus pés afundam nos pântanos de uma realidade sombria. Ninguém deseja a fatalidade ou a dor profunda de uma notícia sem volta. Sim, foi muito doloroso meu aniversário. Como queria que fosse como antes!

Ainda assim nas frestas do peito busco um vazio, um cantinho qualquer em que a alegria possa se adentrar. E é na dança, no samba de raiz, no requebrado do pé, dos quadris e no movimento vibrante da música que tenho buscado um sopro de vida. Pois meu coração parecia mais morto do que nunca.

A dança me traz a cor de volta ao rosto.

O mar, o sal, o sol me consolam mais uma vez.
É lá que respiro.

E você,
você me traz esperança de novos vôos:
de aventura a dois, de leveza da lua, de ventania na noite,
de abraço firme, de troca sem palavras.

De lua negra virando crescente.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Tela em branco

É duro. Duro saber que mais um aniversário se aproxima e que você talvez não vá lembrar. Mas não importa mãe. Vou estar ao seu lado te lembrando da vida que você me deu.

Olho ao redor e percebo uma família que se des - pe - ta - la (cada um da sua maneira). Já me despetalei mãe, diversas vezes nesses últimos dias e noites insones de montanha russa. Mas já sinto novas pétalas crescendo. É assim a natureza.

Sei que daqui para frente há montanhas a serem escaladas. Sei que não vai ser fácil (e já não está sendo). Mas não quero olhar só o desafio e sim a vida: pois você escolheu a Vida quando apesar de tudo resolveu ficar. E que bom mãe, poder ainda pegar na sua mão e sentir o cheirinho dos cremes que você adora passar na pele. Que bom poder te abraçar, beijar e ficar do seu ladinho.

Antes não tava bom para você, não é? Sentia sua fragilidade, seu choro e era insuportável não poder tirar o vazio do seu peito.

Quem sabe agora não nasce um novo jardim para você? Novas árvores, flores, pássaros. Do jeito que a sua imaginação de criança queria pintar. Vamos plantar juntas mãe. Essas sementes de orquídeas, girassóis, lírios, flores do campo...

Vamos pintar juntas. Te dou a tela em branco e você faz arte.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Carta a minha mãe


Mãe,


Você quase foi embora. Quase deixou esse seu jardim de flores e heras ressacadas. Eu sei, você não queria mais um jardim morto e chorava por um recomeço. E eu choro junto mãe. O seu pranto é o meu pranto. Sempre enxerguei a sua dor.


Na sua ausência, mãe, me vi criança novamente. As memórias voltam como um rio: meu irmão e eu, crianças, correndo na praia ao seu redor, os nossos pulos em cima da cama, as nossas brigas que te tiravam do sério, as viagens de carro enrolados no edredon, as brincadeiras cheias de gritos e cantoria.

Eu não sei bem se você já voltou mãe. Te sinto frágil entre homens de branco e uma família entristecida.
Será que você volta?
Onde você está?


Sei o quanto a vida aqui era escura para você. Nem mesmo o verde e as flores (que você tanto ama) eram capazes de trazer o seu sorriso.

Sinto você criança. Sinto você em outro mar. E quem sabe? O mar do seu mundo pode ser mais turquesa que o nosso. Quem sabe esse mar não te ajude a ver o azul?


E o Sol mãe. Como queria que você pudesse sentir o Sol junto comigo.

Mãe, aonde quer que esteja sente o meu amor,
sente o nosso amor por você.

É ele que traz cor a vida.
Sente, mãe.