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domingo, 11 de setembro de 2011

Vaga-Lume

Ando pela vida em busca de 
Sonho
Vaga  ou
Faísca 
que me acenda

Vaga-Lume 

sexta-feira, 11 de março de 2011

Me desperta

Sabe...
Num momento em que choro quase todos os dias, você (mesmo aí do outro lado do mundo, atrás da tela do computador) me transforma em sorriso. Apesar da distância física, te sinto tão perto. Gosto de ouvir a sua voz e ver o seu cabelo se despentear na penumbra. E adoro sentir o seu sorriso, escutar o seu beijo estalar através das estrelas. Faltam poucas nuvens para eu estar do seu lado de novo, dessa vez sentindo seu cheiro, tocando sua pele e cantando, sempre cantando, junto de você.


Me leva amor, para uma viagem bem longe daqui

Me desperta da sombra.


Me mostra os cataventos
e diz para mim que ainda há outros mundos
bem mais coloridos e plenos de beija-flor.

Vamos nos afagar

e nos afogar de ternura e carícias
sem tempo nem hora

Vamos nos tocar em poesia
Nos despir em amor

Me mostra o seu mundo,
o seu A - COR - DE.

Me ACORDA.

sábado, 5 de março de 2011

Balão

O mundo que conheci está ruindo
As paredes derretem
Meu castelo de areia se desfaz
Sinto-me revirada

De cabeça para baixo.

E quando nada mais é
Sobra aquilo que é.

Sinto-me viva e acesa.
O excesso me deixa
e apesar da dor,
me transformo em balão de fogo
subindo, subindo...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mãe para sempre

Esse é um dos meus poemas preferidos de Drummond
(poeta que mais amo).


Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

De Carlos Drummond de Andrade

Quero ser semente pequenina em colo de mãe.
Sempre, sempre.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sou

Sou do Samba
do Sal
do Sol

Sou
música
leveza
ginga


Sou
água
ligeira
fluida...

Sou onda
tempestade
frio e quente
calmaria

Me desmancho
em lírios
poesia


e lágrimas


Sou
dos sonhos
dos vôos
dos olhos nus

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Bailarina


Pintura: Degas

Tem dias que dói. Dói o corpo, dói o peito.
E chove dentro.
Inunda tudo.

Nesse sobe e desce, nesse vai e vem,
ela busca um equilibrar mutante.
Tenta ser artista de circo e cai da corda bamba.


Quando menina ela queria ser bailarina,
sempre nas pontas dos pés,
de saia de tule rodada e sempre, sempre rosa.
Era seu mundo mágico.

A bailarina que ela é hoje quebra as pontas da sapatilha,
escorrega e muda de cor feito arco íris.


E ela - essa bailarina - dança e dança...
em busca de cura que a faça plena;
de luz incessante que a faça girar;
do verde-folha de dentro que acalma;

de um olhar que a decifre;
de um sorriso que a acolha;
de um encontro que nunca acabe.

De um eterno que dure.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Mar

Quanta melancolia entreguei a essas areias
E quanto pranto secou esse mar.
Sou assim nessa praia:
criança de colo,
consolo nas tranças do vento
aconchego no Sol.

O Mar! Ah o Mar!
Me - nina com canção de ninar
O mar me dança.
Lamento, suplico,
Me escondo.
Me escuta!

Te ouço e te entrego

meus segredos
meu pesar


Guarda o meu silêncio.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Meu Jardim

Cresci entre palavras duras, ásperas. Nunca sabia quando elas viriam, assim feito espinhos, prontas para ferir. E aprendi que não queria plantá-las em meu jardim. Preferi as margaridas, flores do campo e lírios.

É engraçado porque a pessoa que me ensinou a amar poesia, ainda pequena, até hoje esquece de utilizar essa poesia em seu cotidiano. E de que serve o belo ou a sutileza das palavras quando nos esquecemos deles em nosso dia a dia?


Em meu jardim planto:
cantos de amor, vôo de pássaros e o elevar da borboleta.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mãe Divina

És Melodia das nuvens
Bater de asas de pássaro
Suspiro que me arrepia

Sol que me acende,

Derrama-se sobre mim
Inunda-me em seu vôo interno

Lírio,
faz de mim o seu néctar
Deixa-me ser o seu Sorriso
a cintilar sobre as sombras do mundo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

João e Julia

João queria conhecê-la do avesso, revirá-la por dentro.
Que vento és tu?
Que nuvem te desperta?
O que faz rir teu coração?

Para Julia, João era poesia, canto inesperado.

Julia era o mistério e João o vazio.

De qual flor vem o teu néctar?
Qual a cor do teu sentir?
E Julia sorria.
Gostava de sentir a respiração de João sobre seu peito.

João acariciou-lhe o rosto.
Fitaram-se...

e mergulharam um no outro.

O silêncio falava mais que a palavra.

No silêncio, um sonhava o outro.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Nasce em mim

Quero borboletear acima do vento
Sentir o gosto do céu
Porque tem dias que é assim: só o cintilar importa.

E como queria que todas as minhas noites fossem estrelas
,
E todos os dias vôo como pétalas ao ar.

Nasce em mim um alumbramento
um alumiar da alma, um verde-terra:
a
mágica do existir.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Hoje

Só posso te dizer do amor que sinto agora.
Pois amor de amanhã é como sombra da tarde, longe do sol.

Gosto desse nosso amor de meio dia: amor a pino!
No meio dia (e na meia noite) cantamos palavras de chuva

Viramos crianças do alvorecer
E nos enlaçamos feito gatos.

Para que tantos "e se..."

O nosso amor é hoje.


domingo, 20 de dezembro de 2009

Pontos


Tarde


Na folha
o sol seca

o choro da manhã
---------------------

Solidão

Solidão escorre da noite
E veste meus olhos
de saudade
---------------------

Solidão II

Solidão de Lagarta
Faz a Borboleta
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Véu


Véu que faz chorar
Faz nascer a lua
--------------------

Ponto

Ponto no céu vaga-lume
Quero senti-lo cá dentro
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

A fala encantada de Bartolomeu



Acabo de conhecer hoje, ao vivo, Bartolomeu Campos de Queirós. Sim! Ele mesmo - o autor que nos desperta a sutileza da alma - estava na Biblioteca Nacional falando sobre a literatura que "nos tira do prumo" (palavras do próprio).

Ah! Quanta fragância tem também as palavras faladas de Bartolomeu! Sua literatura me deixa do avesso por dentro e tira o prumo de qualquer um que ouse senti-la de perto.

Quando Bartolomeu começava a falar, o auditório mergulhava num silêncio profundo: ninguém queria perder o gosto arco íris de suas palavras. Confesso que fiquei perplexa em perceber que mesmo falando o autor canta poesia. Ele é como um pássaro que acorda o sol. Suas palavras e voz suave nos levam a um estado de tanta inspiração, que saímos do auditório enxergando só o encantamento do mundo.

Transcrevo aqui falas de Bartolomeu, pérolas que me embriagaram de beleza e fragilidade em mais um dia azul:

"Para desenhar há de se ter a liberdade do gesto.
Meu gesto é muito contido. Por isso escrevo. É a palavra que me encanta."

"Não gosto do explícito. Gosto do mistério. A metáfora esconde o escritor."


"Escrever também demanda liberdade. É a literatura reflexiva e de consumo interno que me tira do prumo, é essa que me encarna e é dessa que quero falar. O Brasil Literário procura esse leitor que busca poesia e beleza na palavra"

"A vida não deixa ninguém analfabeto. A leitura da escola, a do alfabeto é só mais uma leitura. Todo mundo já entra na escola sabendo ler."

"A literatura lida demanda trabalho.`As vezes, um livro desperta a dor."

"O leitor se encontra na literatura quando lê um texto que o conecta com sua fantasia mais profunda."

"O livro escuta o leitor o tempo inteiro. Ele pode tocar as nossas verdades mais profundas. Com um livro do lado, você nunca está sozinho. Não existe solidão."

"O texto só pode ser literário quando sai da linguagem do cotidiano e do lugar comum. Reduzir a arte a um destinatário, enfraquece a arte. "

"Temos que parar com essa idéia de que a educação nos deixa fortes. Quem tem educação é mais frágil. Muito frágil."

Sobre como surgiu a idéia de seu último livro "Tempo de Vôo":



"Um dia estava debruçado na janela e me deu uma saudade imensa do mundo. Me senti velho. Há um determinado momento em que o mundo fica distante de você. Eu senti na pele a saudade do mundo. E o texto [Tempo de Vôo] surgiu disso. Tem hora que dói na pele, que queima. A consciência da saudade do mundo é que cria o livro."

"É muito interessante, né? Você transforma a dor [da saudade] na alegria [de escrever]. Viver é um ato extremamente escandaloso."

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A poética de Bartolomeu



Ontem dormi sobre palavras. Palavras poéticas de Bartolomeu Campos de Queirós. Dizem que ele escreve para crianças e jovens, mas para mim ele escreve para suavizar o gosto da vida.

Mergulho no silêncio para melhor sentir a textura de sua prosa poética. Sinto um tremor no coração a cada palavra sua exalada: a mais pura essência. As frases borboletas de Bartolomeu devem ser saboreadas, apreciadas junto ao tempo.

Através de seus livros, percebo o desabrochar da flor da manhã, decifro a música infinita do céu e desperto para a sutileza da alma.

"Para um menino, assim só, os ciganos eram uma espécie de sol que acordava os afetos (...) Ele comungava a vontade de fazer-se atraído pelos ciganos e ser roubado por eles. Ah, ser roubado era o mesmo que ser amado. Ele sentia que só roubamos o que nos faz falta. E ele - como gostaria de ser a ausência, mesmo dos ciganos..."

Trecho do livro Ciganos de Bartolomeu Campos de Queirós

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Desabrochar


A dor do fim de um Amor

É como a morte de um céu
Céu de nuvens
Que tece em desenhos brancos
A história dos amantes

No fim o Amor teme a solidão
Teme o vazio dos sonhos
Teme perder-se de si mesmo
E dorme encolhido,
para esquecer aquela flor

Só que flor de amor não morre nunca.
Fica dentro do peito
esperando o despertar de suas pétalas

No desabrochar da nova flor
O Amor vira claridade
Brilho tecendo as luzes do céu

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Fantasia

Nesse mundo fantasia me encontro.
Por favor me deixe por lá...

Lá sou marinheiro errante
Riso encantado no ar
Sou verde que não se cansa
Cantar que não seca

Me leve em tuas jangadas
com cheiro solto de mar
Quero viver nesse encanto de ondas:
lugar melhor não há.

Pois lá sou mulher de milagres
De estórias que nascem e voam

Lá nasço menina
E morro estrela.
Viro
dança bailarina,
Música de anjo prata,
Olhar que pisca para dentro
E brinca de sonhar

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Gaivota





Nado, nado em um mar sem fim
Por vezes me perco nessa imensidão verde-água

Já a gaivota não.


A gaivota é certeira: mergulha feito espada em onda agitada
Gaivota corta o mar de ressaca atrás do que quer
Quando vem rajada de vento,
não luta contra
nem bate asas
simplesmente plaina,
vira equilibrista no ar.

Tente olhar a gaivota...

Ela mergulha profundo na água das emoções
Mas não fica por lá.
Não se afunda, nem se perde
Gaivota mergulha
E volta a voar
Leve como canção de ninar
Branca como luz de luar
Livre feito onda do mar

Quero ser gaivota: no ontem, no hoje, no que ainda não há.

Fotos: Jim Skea

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Bicho do Mato

Sou bicho solto, livre
Sou bicho do mato.
Gosto dos pés na terra densa
Dos pés na areia sono

Do vento arisco que cavalga sem medo
entre meus fios brancos
Do sol que abrasa minha pele
Do mar refletindo meus olhos
Das ondas me fluindo em vai e vem

Quero voar alto feito canário amarelo
Quero ser sonho sem fim nem começo
Quero liberdade infinda
Voz sem tamanho
Quero ser estrela insondável
Brilhando na escuridão do tempo

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tanto

Entre encontros e desencontros
Vou me encontrando.
Ontem, no sorriso diurno
Hoje, em lágrimas silenciosas.

É tanto tear aqui dentro
que já nem sei quem eu era.
Me perco nesse Universo interno
vasto, fosco, nebuloso.

É Tanto redemoinho
que me toca
Tanta emoção
que transborda
Tanto sentir entrelaçado

TantoTantoTanto...

Que viro flor lânguida

derretida pelo
Sol do Amanhã