quarta-feira, 13 de maio de 2009

Feito estrela



Você leu essas minhas palavras tentando me decifrar.
Mas bastava perceber os meus olhos brihantes feito estrela,
piscando exagerados (como num desenho animado)
que perceberia o que palavra alguma poderia expressar.

Sonhos



Me perguntam: você ainda não desistiu?

Mas como é possível desistir dos sonhos, daquele balão amarelo-vermelho que infla e sobe comigo? A intensidade que sinto em cada uma dessas experiências - de amar, de doer, de ser- não me deixa parar. A fixidez é algo que há algum tempo desconheço. A faxina interna é densa e incansável. Nesse camaleonar de formas, pensamentos, esqueço quem fui.

Descubro a cada gota quem sou.
Descubro em cada toque essa nova mulher.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Sobre as Dores




Eu durmo encolhida como concha na esperança de que nos sonhos multicoloridos tudo sare. Mal acordo e lá vem aquele buraco doído que faz uma algazarra dentro de mim. Enfio a cabeça dentro dele e quase saio do outro lado (como é fundo!).

Na lama das emoções fico esperando os minutos passarem. Alguma dessas dores fraquejam, se cansam com o tempo e dizem: Adeus! Mas tem aquelas que, não importa a maré ou dia de sol, estão sempre lá. Essas me preocupam, pois vazam um rio. Arde. Cutuca. Incomoda. Dói.

Algumas dores tento curar com bálsamo de flor de lótus, corredeiras límpidas e tranças de menina. Cada uma dessas dores nasceu de um jeito e por isso são únicas. De umas viro amiga, confidente, até amante! Com outras ainda brigo, fecho os olhos, cruzo os braços, perco a paciência e tateio no escuro.

É o eterno vai e vem do sentir.

ilustração: Nicoletta Ceccoli

domingo, 10 de maio de 2009

Sobre as Partes

Ouvi dizer que aquelas partes minhas que eu não quero olhar são as que depois ficam enormes e me Devoram. Sim! Devoram com letra maiúscula. Por isso faço o seguinte acordo com elas: eu as olho só um pouquinho e até levo para passear! Em troca é só não me incomodar. Tem que virar coisa invisível, notícia desbotada, cacos caquéticos que não colem mais. Depois é só sumir no espaço como cometa. Não é simples?

Eis que pula uma dessas minhas partes- que insisto em não aceitar- no meu colo e me encara. Você não tem senso de humor! Jogo essa parte no chão e ela se quebra como um espelho...
E agora são milhares de partezinhas que eu não queria ser. Não tem jeito. Repiro-as para dentro antes que me possuam.

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Zum... Zum



O meu coração fica apertado como ponta de alfinete. Vejo a vida passando galhofeira, dando risada ao meu lado, me mostrando o caminho dos outros. O furacão interno, a espiral que gira gira, bailarina lunar, já não é suficiente para me levar adiante. Sinto-me batendo no vidro, melancólica e um zumbido... Zum, Zum...

Para onde vai esse rio? Eu mesma não sei. Quero que flua com direito a redemoinhos, ilhas flutuantes e peixinhos reluzentes`a luz do dia.
Água viva dançando transparente.

Que venha o inusitado.


ilustração: Nicoletta Ceccoli

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Gira gira

Ar delirante
Ar dançante

Gira gira comigo
Na dança das minhas partes tontas desatinadas
Partes que já não alcanço
E me põe louca ao seus pés

Sobre Roteiro



Eu gosto de escrever roteiro. Não me leve a mal. Mas eu estava restrita, amarrada, presa no tempo e no espaço do roteiro:

INT. CASA FECHADA DO ROTEIRO- NOITE

Hoje me permiti sair e olhar para fora. Mudar de ângulo, ver o que a miopia já não me deixava escrever. As palavras podem libertar, mas eu me aprisionava no formado marcado, na cadência rítmica de "achismos", regras e roteiro. Um roteiro que a vida era obrigada a ser.

Se eu for demais estraga? Se voar alto machuca? Se sentir demais dói!

Pois deixe doer então! Melhor do que seguir na apatia e correntes do que não quero mais. Pode vir! Como a chuva que umedece o peito e leva tudo aquilo que não sou mais.


O Nada



Só hoje eu aprendi a viver o Nada.
No Nada o Sol bate no meu rosto brincando,`as vezes dançando.
A Lua sorri para mim açucarada. Em uma espiral lunar, feixes meio aquáticos reluzem, tocam, beijam minha pele...

Suave vou sentindo apenas esse instante

Aldeia do Sol



Na Aldeia do Sol vive-se o Agora.
E no Agora, a gente canta para o Sol,
toca o coração do outro,
reverencia a Lua, entra dentro de nós- mesmos,
e descobre o útero da Terra.

No calor e fervura da Tenda do Suor nos libertamos dos medos mais profundos e escuros do nosso mistério.
Nas viagens ao centro do nosso íntimo ruímos... e renascemos.

Lá você pode ser o que você quiser ser, pode amar sem limites e se despir de tudo o que já não é. Na Aldeia do Sol todos viram sorrisos brancos, mais leves e livres que beija-flor.

O choro vira sorriso de dentro, a dor um abraço mel,
a solidão o mais etéreo e sublime amor.
Um amor divinal e sólido que beija,
dança de alegria, pega na mão e ainda faz cócegas.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Orquestra Voadora


Foi morando na neve, no frio seco, na tempestade invernal
de Nova Iorque que eu realmente descobri o quanto amava o samba,
o requebrar dos quadris, a música de raiz.


As cores, a melodia e o caos arrebatador da Lapa.

E outra noite, lá mesmo nessa Lapa efervescente
,
tubas, saxofones e instrumentos de sopro se juntaram em uma melodia sem fim, um contaminar dos ouvidos e do corpo
que fazia reverberar até a última penugem da alma.

Na luz amarela, meio penumbra,
os intrumentos refletiam só dourado
e a felicidade do sopro cantado,
do êxtase musical que não se explica,
só se sente e expressa.

Temporal



Tem umas pessoas que passam pela minha vida
que são mais rápidas que rajada de vento.

Umas vem como temporal, uma tormenta ágil e nebulosa.
Essas me cutucam, me bagunçam, me viram de cabeça para baixo.
Outras vem como brisa quente do mar
...
e me aquecem, me rodam, me acariciam.

Em um momento estou com elas,
mas logo, com o quebrar da onda, elas se vão.
E confesso que algumas vezes já quis segurá-las,
como se as minhas partes - partidas, perdidas-
estivessem indo embora junto com elas.

Respiro fundo e percebo agora
que partes delas ainda estão comigo,
vibrando como nuvens que passam,
mas deixam seus desenhos brancos e fluidos.

Então digo a elas: Vai temporal!
Passa pela minha vida
com seus relampeios e ventos tempestuosos,
e deixa o seu cheiro de terra molhada.

Violino Delirante- Nicolas Krassik


Ouvir o violino delirante do Nicolas Krassik, junto com todos aqueles músicos maravilhosos que tocam com ele, é um "Manjar dos Deuses." É um furacão musical, um terremoto sem fim, um estremecer de todos os sentidos...quase um êxtase coletivo. Eleva o humor de qualquer um, levanta as saias do salão e me faz sentir perto do céu.

Tempo



Antes contava o tempo como horas trabalhadas,
rotinas cumpridas.
Agora já não sei mais defini-lo...

Vou me deixando levar pelas vozes das horas

os amores dos segundos
o apalpar dos minutos.

Manifestação



Eu fico olhando para o ar,
tentando perceber o que o tempo
quer me dizer.


É como se estivesse tudo em suspensão
e eu me silencio tentando escutar.

Ei?


Por vezes escuto quase um sussurro,
balbuciando palavras.

É comigo?


O susurro aumenta e uma voz sem fim

/assim sem mais nem menos,
sem autorização prévia ou lógica que se explique/

se manifesta em meu caderninho
de lápis cansado e canetas voadoras.

domingo, 26 de abril de 2009

Bate Papo

Estou feliz de estar aqui com essa música e amigos queridos.
O clima é de bate-papo sem fim.
O resto é consequência.