sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Pássaro

Hoje o Girassol de dentro voltou a abrir suas pétalas.
E que falta lhe fez o Sol.
Ela busca o Sol fora na tentativa
de encontrar o Sol dentro.

Depois de dias chuvosos que afogavam a sua alma,
o pássaro amarelo ressurgiu.
E ela não resiste ao canto do pássaro:
"
É tempo de voar."

sábado, 6 de novembro de 2010

A Borboleta fecha as asas

Queria que cada um de nós saísse desse relacionamento
como borboletas a buscar suas novas flores.
Mas você preferiu mostrar o seu lado sombra:
"Quero sair por cima. E para isso Preciso te Ferir."

Que triste... Eu, borboleta, fechei as asas e senti que
escolhi o caminho certo. Voei para longe.

Essa borboleta que bate cá dentro do peito

prefere o amor, a sutileza e
a música que toca nas profundezas das flores.


No silêncio é possível escutar o canto das pétalas.
Busco o canto no silêncio.

É difícil no começo quando o coração está choroso.
Mas quando o pranto seca,
lá está a música que me abraça.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cinza



Virei cinza com você. Como é que pode?
Sempre achei que duas cores vivas
ficariam mais vibrantes juntas.


A relação com o outro é soma.
Mas quando vira tempo escuro de nuvens cerebrais,
carregadas de "não" e "esse é o jeito certo",
sinto que é minha hora de voar.

Eu me pergunto...
Cadê aquela mulher de sorriso no rosto e estrela no olhar?
Cadê a leveza, a dança e a alegria que antes me visitavam?

Perdi a cor. Será que me perdi de mim?

Terminar dói.
Só que dói menos do que ser cinza.

Não gosto de fim.
Sou de começos.
De frutas que brotam na terra,
De flores que desabrocham.

Quero ser cor de Aurora.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Triste



Meu coração se aperta. Mais uma vez...
Ele tenta achar uma janela, uma fresta de ar
mas só encontra paredes.


É coração... Já tem um tempo que você anda triste, cabisbaixo.
Nem o choro mais você contém.
Eu sinto a sua dor, a inflamação no peito.

Tento rir da dor e digo: ela passa.
Dor de amor...
E quem mandou ser coração tão frágil?


Você tinha medo que esse amor fosse como onda do mar.
Mas ninguém segura o mar.

E do que adianta dizer que se tem um amor
e sentir-se tão sozinho?
Sentir-se nadando contra a corrente
enquanto você quer deixar-se fluir.


Coração, vou te embalar em meus braços com canção de ninar,
te darei beijos de beija-flor até que
a sua flor (tão murcha agora)
volte a cantar.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Meu irmão

Para Tomás

Outro dia mais uma pessoa veio me perguntar:

- Será que seu irmão gostou de mim? Me achou legal?
E achei engraçado lembrar que durante minha vida ouvi essa pergunta dezenas de vezes. E porque será que as pessoas querem que o meu irmão goste delas? Simplesmente porque ele é daqueles caras que o coração mal cabe dentro do peito de tão grande! É claro que ele tem um talento para desenho e criação sem igual e tem gente que o admira por isso. Mas o que faz tanta gente querer estar perto dele é o seu jeito amoroso e vivaz de ser. Você está ao lado dele um dia e sem saber porque começa a se sentir tão bem! He, he, he!

Então irmão, continue sendo você desse jeito único: engraçado, cheio de entusiasmo, de idéias, de sensibilidade, de alegria, de desenho, de criatividade, de sonhos, de afeto, de amor que transborda e contagia os outros.

Eu amo você!

E desejo sempre te ver com estrelas nos olhos,
mãos pintadas de cores e sonhos que voam.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Girassol



Queria ser Girassol de pétalas sempre viradas ao Sol.

E o que faz o girassol a Noite?
Se esconde? Aquiesce?

Mesmo a flor do Sol passa pelo negrume.

Nas vicissitudes do amar queria ser somente beija flor:

leve, cor suspensa no ar, flor de asas.

Mas quando vem o cinza, a intempérie do amor,

eu esqueço o beija-flor.
Como é frágil o coração.
Algumas palavras são suficientes para
deixá-lo cabisbaixo, sem canto.
E porque a pessoa que te canta melodias
logo te fere com palavras ásperas?

E porque esse amor a dois oscila entre preto e branco?

Eu adoraria escolher o branco.


Só o branco.


Ando em busca de um amor de mar turquesa, de águas macias.

Aquele Amor de letra maiúscula
que transcende as mágoas, as sombras, a noite.


Num mundo de dia e noite como encontrar um Amor sem noite?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pérola

Pérola encantada, pérola interna te busco sem fim
e ainda se me esvai feito borboleta.
Nos altos e baixos dos sentimentos tento te descobrir, te descolorir.

Te busco Centro, Cor Amarela e Viva.
Me tira do tédio e me revela o teu encanto.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Flor Gerbera

João revelou a ela que seu amor era como a flor gerbera.
Mas ela não deu atenção. Nem ternura.

As pétalas da gerbera foram caindo,
até que do amor-flor de João só sobrou o miolo.


Um amor despetalado.


Será que ela não sabe que dói em mim tanto o quanto dói nela?
E que há em mim sonhos repletos de pássaros, vôos e entrega?

João murchou...

E esperou o vento trazer novas sementes.

sábado, 4 de setembro de 2010

Beleza

Sentia-se plena ali: os pés afundavam na areia, as ondas brincavam entre suas pernas, o sol acariciava o seu rosto e o vento (ah! o vento) ouvia seus lírios.

O verde esbranquiçado do mar a fazia lembrar de sonhos distantes, da essência azul que tanto buscava. Assombrava-se diante da beleza inefável que os olhos ouviam e se perguntava porque não podia perceber tal beleza por todos os segundos de seu respirar.

Perdia-se no mar, virava onda e redemoinho. A água amaciava as tristezas.

Queria fluir como o mar

domingo, 22 de agosto de 2010

A Nossa Dança

Gosto do seu abraço de Sol. Você derrete qualquer frio interno e transforma a minha neve em rio.

Gosto de estar entregue em seus braços, de me enroscar em você no meio da confusão de travesseiros, cobertas e brancos.

Acordar e dormir do seu lado faz de mim sorriso encantado, borboleta a sonhar no céu infinito.


E na nossa dança... como sou feliz na nossa dança: cheia de rodopios, passos repentinos e estrelas cadentes.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Relacionamento

O relacionamento íntimo com o outro me transforma. As feridas do outro esbarram nas minhas e trazem a tona minhas partes ocultas.

Algumas revelações não são nada agradáveis.

De onde vem essa dor?
Esse medo que achei que já havia ultrapassado?
E essa insegurança que invade tudo?


O amor a dois me faz leve, tênue e sombria. No amor, um vai revelando e descobrindo a si-mesmo e ao outro.
Ou será que é apenas a si-mesmo?


O medo da entrega é latente, afinal não há controle.
Há só o viver, o experimentar-se através do outro.

Se o amor me faz renascer, eu mergulho sim em suas labaredas
e me faço pássaro da lua, mutável e repleto de fases.

Lua nova
Lua negra
Lua dócil
Lua sorriso
Lua plena.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Bailarina


Pintura: Degas

Tem dias que dói. Dói o corpo, dói o peito.
E chove dentro.
Inunda tudo.

Nesse sobe e desce, nesse vai e vem,
ela busca um equilibrar mutante.
Tenta ser artista de circo e cai da corda bamba.


Quando menina ela queria ser bailarina,
sempre nas pontas dos pés,
de saia de tule rodada e sempre, sempre rosa.
Era seu mundo mágico.

A bailarina que ela é hoje quebra as pontas da sapatilha,
escorrega e muda de cor feito arco íris.


E ela - essa bailarina - dança e dança...
em busca de cura que a faça plena;
de luz incessante que a faça girar;
do verde-folha de dentro que acalma;

de um olhar que a decifre;
de um sorriso que a acolha;
de um encontro que nunca acabe.

De um eterno que dure.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Mar

Quanta melancolia entreguei a essas areias
E quanto pranto secou esse mar.
Sou assim nessa praia:
criança de colo,
consolo nas tranças do vento
aconchego no Sol.

O Mar! Ah o Mar!
Me - nina com canção de ninar
O mar me dança.
Lamento, suplico,
Me escondo.
Me escuta!

Te ouço e te entrego

meus segredos
meu pesar


Guarda o meu silêncio.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Onda que vem... Será que vai?

Sim, tenho medo. Medo de te mostrar a intensidade carmim de meus sentimentos. Sua voz é suspiro, arrepio na pele. Seu beijo me descompassa. Sei que gosta da fala clara e direta, mas sou assim: repleta de noite e mistérios.

Não vê que me afogo em seus olhos de mel? E me desmancho em seu toque? E que na nossa dança (você me enganou, seu dançarino!) me entrego tanto que me perco?

Sei que por vezes viro criança, insegura e boba.Tem noites que prendo as lágrimas e me finjo forte. E me faço rebelde para esconder a fragilidade e o despedaçar do peito.

E se você for onda que me envolve e logo se desfaz?

Onda
, fica comigo, no vai e vem do nosso mar. Vamos nos transbordar de espuma e tons.

Derrama em mim a firmeza dos seus passos, a doçura dos seus gestos, o seu balançar.

Me inunda com a sua ginga, a sua arte e o seu Sentir.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Meu Jardim

Cresci entre palavras duras, ásperas. Nunca sabia quando elas viriam, assim feito espinhos, prontas para ferir. E aprendi que não queria plantá-las em meu jardim. Preferi as margaridas, flores do campo e lírios.

É engraçado porque a pessoa que me ensinou a amar poesia, ainda pequena, até hoje esquece de utilizar essa poesia em seu cotidiano. E de que serve o belo ou a sutileza das palavras quando nos esquecemos deles em nosso dia a dia?


Em meu jardim planto:
cantos de amor, vôo de pássaros e o elevar da borboleta.